CEILÂNDIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Flávio Bolsonaro (PL) de enviar o irmão, Eduardo Bolsonaro, aos Estados Unidos para atuar contra os interesses brasileiros. A declaração foi feita nesta quarta-feira (16/09), durante comício na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, no Distrito Federal.
Lula criticou a atuação de aliados do bolsonarismo em Washington e associou o episódio à disputa presidencial. “Esse país não comporta político vira-lata”, afirmou. Em seguida, chamou Eduardo de “traidor da pátria” e disse que ele pede ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma intervenção no Brasil.
Eduardo Bolsonaro esteve em Washington no mesmo dia, em reunião com integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Ao lado de Paulo Figueiredo, defendeu novas sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Também pediu a retomada de medidas ligadas à Lei Global Magnitsky contra Moraes.
Lula afirmou que pretende tratar do assunto com Trump durante sua viagem aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. “O Brasil só tem um dono, que é o povo brasileiro”, disse. A reunião da ONU está marcada para terça-feira, 22 de setembro.
Tecnologia e minerais
No comício, o presidente ampliou o discurso sobre soberania para as áreas econômica e tecnológica. Ele defendeu que universidades e institutos federais preparem jovens para trabalhar com inteligência artificial e afirmou que o país não deve depender de chineses ou americanos nessa área.
Lula também disse que o Brasil precisa transformar seus recursos minerais no próprio território, em vez de limitar-se à exportação de matérias-primas. Horas antes do evento, havia sancionado a lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com medidas para pesquisa, exploração, beneficiamento, transformação, financiamento e industrialização da cadeia mineral.
Críticas ao BRB
O presidente ainda responsabilizou a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) pela condução do Banco de Brasília (BRB). Segundo Lula, a instituição comprou títulos inexistentes em uma operação ligada a Ibaneis e Vorcaro, do Banco Master, no valor de R$ 12 bilhões.
Investigações da Polícia Federal indicam que o BRB adquiriu cerca de R$ 17 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. Desse total, aproximadamente R$ 12,2 bilhões estariam associados a títulos considerados fraudulentos pelos investigadores. Lula afirmou que o governo federal não pretende destinar recursos para socorrer o banco.
O discurso ocorreu enquanto a Casa Branca apresentava ao Congresso dos Estados Unidos sua avaliação sobre o combate ao crime organizado no Brasil. O governo Trump disse que o Brasil falhou em enfrentar o PCC e o Comando Vermelho e cobrou medidas mais duras contra as duas facções.
Apesar da cobrança, o Brasil não foi incluído nas listas americanas de grandes produtores ou rotas de drogas nem entre os países que, na avaliação dos Estados Unidos, falharam de forma demonstrável no combate ao narcotráfico. Em maio, PCC e Comando Vermelho foram classificados pelo governo Trump como terroristas globais especialmente designados, medida contestada pelo governo Lula.



