São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Lula mantém desvantagem entre evangélicos na reta final da eleição

Pesquisas apontam vantagem de Flávio Bolsonaro, enquanto mobilização nas igrejas e discurso de pânico moral perdem força.

Lula mantém desvantagem entre evangélicos na reta final da eleição

Lula não conseguiu ampliar o apoio entre os evangélicos na reta final da eleição, apesar de o ambiente político nas igrejas estar menos mobilizado do que em 2022. Pesquisadores avaliam que o discurso de “pânico moral” perdeu força, mas o antipetismo continua influenciando a preferência desse eleitorado.

Em simulações recentes de segundo turno, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro ultrapassa 50 pontos porcentuais em algumas sondagens. Na pesquisa mais recente da Quaest, Flávio aparece com 69% dos votos válidos entre os evangélicos, contra 31% de Lula.

Para Luciana Andrade, coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, Flávio não é percebido como alguém próximo do meio evangélico. Segundo ela, a preferência pelo senador está ligada à família Bolsonaro e ao desejo de renovação diante do desgaste de Lula e da insatisfação com a situação econômica do País.

“O eleitor evangélico não tem apego ao Flávio”, afirma Luciana. O cientista político Vinicius do Valle, pesquisador do Cebrap, também avalia que o desempenho do senador é explicado principalmente pelo antipetismo. Para ele, há estafa com a discussão eleitoral nas igrejas, e a apatia ainda predomina.

Os embates envolvendo os ministros do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e Alexandre de Moraes, porém, ajudaram a mobilizar uma parcela dos evangélicos. Moraes é associado a Lula por esses eleitores e enfrenta rejeição nesse grupo. Nas pesquisas qualitativas da Quaest, o STF é descrito como “corrupto”, “partido político” e “atraso” para o País.

Mudança no comportamento eleitoral

Os evangélicos foram uma base importante do PT em quatro eleições presidenciais consecutivas. Em 2002, Lula recebeu 63% dos votos válidos desse grupo contra José Serra. O resultado se repetiu em 2006, 2010 e 2014, em disputas contra candidatos tucanos.

A mudança ocorreu em 2018, quando Jair Bolsonaro obteve 70% dos votos válidos entre os evangélicos, contra 30% de Fernando Haddad. Em 2022, Bolsonaro também superou Lula nesse segmento.

A deputada federal e candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro Benedita da Silva atribui a mudança à atuação de lideranças religiosas e à disseminação de fake news contra o PT. Ela defende a reconstrução do diálogo com os fiéis e cita a criação do Dia Nacional da Marcha para Jesus, em 2009, e do Dia Nacional do Evangélico, em 2010, durante o governo Lula.

Estratégias das campanhas

PT e PL adotaram caminhos diferentes. Flávio buscou o apoio de pastores de grandes denominações, como Silas Malafaia. A campanha de Lula apostou em lideranças regionais, mobilização territorial e materiais específicos para os evangélicos, com referências ao programa Pé-de-Meia, à redução do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a versículos bíblicos.

Luís Sabanay, coordenador do Núcleo de Comunicação com Evangélicos da campanha de Lula, afirmou que a distribuição dos materiais será intensificada. Ele também disse que não está prevista uma nova carta de Lula aos evangélicos, como a divulgada em 2022.

Parte da estratégia é conduzida pela primeira-dama Janja da Silva, que promove encontros com mulheres evangélicas. O antropólogo e historiador Juliano Spyer, autor de Crentes e Povo de Deus, questiona a escolha de Janja como porta-voz e afirma que as ações do PT são dispersas, sem uma coordenação central.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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