O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a medida provisória que proíbe o funcionamento das bets no Brasil e comparou a decisão à retirada de um tumor. Para ele, a ação era necessária diante do risco de as apostas online prejudicarem brasileiros.
“Tomei a decisão de tomar uma medida dura, drástica e necessária Isso é como um câncer, ou a gente tira o tumor ou esse tumor vai matar a gente”, declarou Lula.
O presidente afirmou que as bets se transformaram em uma jogatina sem controle e que a entrada do cassino nas casas deixou a sociedade desprotegida. Lula também comparou a dependência em apostas ao vício em crack.
Ao lembrar uma reunião com vítimas de ludopatia, citou o caso de um empresário que acumulou uma dívida de R$ 2,2 milhões e o de uma mulher que tentou se suicidar em três oportunidades. Em outra declaração, disse que não permitiria que brasileiros usassem cartão de crédito ou dinheiro destinado à compra de leite dos filhos em apostas.
A MP terá validade de até 120 dias. Para virar lei, precisará ser aprovada nesse período. O Congresso deverá analisar o texto em dezembro, junto do Orçamento do próximo ano, e o lobby das bets no Legislativo é forte.
Lula voltou a mencionar que times brasileiros conquistaram títulos do Mundial de Clubes sem patrocínio de bets. A declaração foi usada para contestar clubes que afirmam poder ser prejudicados pelo fim das apostas.
O presidente anunciou a proibição nesta sexta-feira. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira, 23, mostrou que 75% dos entrevistados apoiam a medida. Outros 17% discordam e 8% não concordam nem discordam.
A decisão foi tomada nesta semana, após reunião de Lula com ministros e auxiliares no Palácio da Alvorada. Até a semana passada, a possibilidade mais provável era proibir o “tigrinho” e manter as apostas esportivas. O governo mudou de posição e passou a defender o fim das bets.




