São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Política

IA e vídeos falsos ganham espaço entre riscos para eleições e democracia

Guia do CGI.br aponta avanço de deepfakes, desinformação distribuída e redes restritas como o WhatsApp no ciclo eleitoral atual.

IA e vídeos falsos ganham espaço entre riscos para eleições e democracia

Vídeos falsos produzidos por inteligência artificial e conteúdos de baixa qualidade passaram a ser apontados como a principal ameaça digital às eleições e à democracia, no lugar das fake news tradicionais. A avaliação está no Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) nesta terça-feira (22).

A publicação compara o cenário atual com o de 2018, quando foi lançada sua primeira edição. Naquele momento, as redes abertas, como o Facebook, eram os principais meios de circulação. Agora, redes mais restritas, como o WhatsApp, ocupam esse papel. A desinformação também passou a circular ao mesmo tempo em várias plataformas.

O vídeo se tornou o principal formato de disseminação, geralmente acompanhado por um texto curto que sustenta a narrativa falsa. As inteligências artificiais generativas já haviam aparecido no ciclo eleitoral de 2022, mas o guia prevê impacto maior neste ano, com ferramentas de distribuição direcionadas a perfis específicos e roteiros mais complexos, voltados a aumentar a aparência de verdade.

Plataformas e influenciadores

O guia analisa sistemas de recomendação, IA generativa, deepfakes e modelos de linguagem conversacionais. Também reúne diretrizes para o combate institucional à desinformação e orientações para que os cidadãos não sejam vítimas nem disseminadores de conteúdos falsos ou enganosos.

A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, afirma que as plataformas digitais têm papel central na forma como os brasileiros se informam, mas são empresas privadas orientadas por objetivos econômicos, e não pelo interesse público. Para ela, entender como esses ambientes operam e distribuem conteúdos é necessário para fortalecer a integridade da informação e a democracia.

O estudo também diferencia influenciadores e jornalismo. Embora reconheça a relevância dos comunicadores das plataformas, o documento afirma que eles não seguem um código de ética nem respondem institucionalmente pela veracidade, pelas imprecisões ou por erros deliberados do que divulgam.

Deepfakes e confiança

A principal preocupação em relação às deepfakes é o realismo. O aprimoramento constante desse tipo de conteúdo pode enganar até eleitores experientes na avaliação de informações e alimentar desconfiança generalizada, inclusive sobre conteúdos verdadeiros.

O guia relaciona esse ambiente à perda de confiança na imprensa e no Judiciário e à polarização política. O documento também alerta que pessoas tendem a consumir informações que confirmam suas crenças e rejeitar aquelas que as contradizem, fenômeno descrito como racionalidade motivada e associado ao reforço ideológico.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.