O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que teve apenas um contato com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo Gonet, a conversa ocorreu em um evento com várias autoridades, em 2024, e foi “brevíssimo e banal”.
A declaração foi feita no plenário do Supremo Tribunal Federal, durante sessão convocada para discutir um relatório da Polícia Federal. O documento reúne conversas entre Vorcaro e um interlocutor apontado como o ministro Alexandre de Moraes.
Questionamentos sobre a investigação
Gonet também disse que “fica feliz” porque André Mendonça reconheceu que não havia, no material obtido pela Polícia Federal, elemento capaz de indicar prática de ilícito pelo procurador-geral da República.
Em manifestação apresentada no último dia 1°, o PGR defendeu a nulidade do caso e criticou a atuação de Mendonça. Para Gonet, o ministro teria usado a polícia para impor a investigação de um colega e desempenhado atividades que não lhe caberiam. “Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais”, escreveu.
O nome de Gonet aparece no relatório policial em diálogos nos quais o advogado Ciro Soares encaminha a Vorcaro mensagens atribuídas ao procurador. Em outros trechos, o ex-banqueiro pede a Moraes que procure Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para tentar impedir uma operação contra o Banco Master.
Participação na sessão
Gonet decidiu comparecer ao plenário depois de conversar com Luiz Edson Fachin, presidente do STF. O encontro ocorreu no gabinete da presidência da corte na última quinta (10) e durou cerca de meia hora. Fachin sugeriu que outro representante da Procuradoria-Geral da República participasse da sessão, mas deixou a decisão com Gonet. Hindenburgo Chateaubriand foi uma das opções consideradas.
Para tratar dos casos relacionados ao Banco Master, Gonet criou um grupo de trabalho com Chateaubriand e os subprocuradores-gerais Edílio Magalhães Teixeira e André de Carvalho Ramos. Chateaubriand e Edílio coordenam as atividades.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal abriu, no último dia 3, um procedimento para analisar as menções a Gonet nas mensagens de Vorcaro. O procurador-geral pretende usar o processo para responder a alegações de suspeição.
O relatório também registra que o filho de Gonet pediu a Vorcaro que fosse a um evento em Londres, com despesas pagas pelo banqueiro. Até o momento, integrantes da cúpula da PGR avaliaram que não há elemento capaz de tornar o procurador-geral alvo de investigação.



