A Polícia Federal pretende colher um terceiro depoimento do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, na próxima quinta-feira, no inquérito que apura suspeitas de cooptação de dois servidores da instituição por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A logística das oitivas ainda está sendo organizada.
A investigação também terá os depoimentos do presidente do BC, Gabriel Galípolo, do ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto e do dono do BTG Pactual, André Esteves. Eles serão ouvidos como testemunhas depois de terem sido mencionados pelo ex-diretor Paulo Sérgio Souza, um dos investigados.
Agenda das oitivas
A programação prevê André Esteves na segunda-feira, Galípolo na terça-feira e Campos Neto na quarta-feira. Os advogados dos três ainda podem pedir o adiamento dos depoimentos.
Paulo Sérgio Souza relatou no inquérito que participou de reuniões com Galípolo, Campos Neto e Esteves sobre o Banco Master. O BTG Pactual foi citado porque avaliou a compra da instituição.
Segundo o ex-diretor, o Banco Master havia deixado de recolher todo o compulsório, reserva obrigatória depositada no Banco Central. Diante disso, seria necessário liquidar o banco ou buscar uma solução de mercado com o BTG Pactual.
Paulo Sérgio afirmou que Galípolo pediu um voto de confiança para a solução envolvendo o Banco Regional de Brasília (BRB), no final de fevereiro ou início de março. Em outra reunião, no final de junho, teria dito que não faria uma comunicação ao Ministério Público Federal por gestão temerária, porque a informação recebida internamente indicava fraude na carteira.
O ex-diretor negou ter recebido propina de Vorcaro em troca do repasse de informações sigilosas. Também disse que Galípolo resistiu ao envio de uma comunicação de crime ao Ministério Público Federal sobre suspeitas relacionadas à venda do Master ao BRB.
Relato sobre BTG e Campos Neto
Paulo Sérgio contou ainda que, em novembro de 2024, Ailton de Aquino informou que o BTG havia concluído uma diligência prévia no Master e identificado uma fraude de R$ 32 bilhões. A comunicação teria sido feita por telefone em 29 de novembro.
De acordo com o relato, Ailton orientou Paulo Sérgio a ir a São Paulo para uma apresentação do BTG, realizada em 3 de dezembro de 2024, com a presença de Roberto Campos Neto. O banco, segundo o depoimento, não entregou documentação na reunião.




