O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, informou que se reunirá com representantes da Polícia Federal na segunda semana de outubro para discutir referências a ministros encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em ofício enviado à PF, Fachin afirmou que comunicações desse tipo, apresentadas integralmente ao Supremo, receberão os encaminhamentos cabíveis. O ministro disse que todo fato relevante deve ser rigorosamente apurado, sem exceção.
A audiência foi solicitada pela PF na manhã de quinta-feira (1º) e, segundo Fachin, atendida prontamente. Ele negou demora na definição da data e atribuiu a ausência de uma reunião anterior a dificuldades mútuas de agenda.
A PF pretende definir como tratar os elementos encontrados: investigar eventuais relações de magistrados com Vorcaro, elaborar relatórios sobre as mensagens ou desconsiderar o conteúdo. Fachin disse que o trabalho deve respeitar as normas constitucionais e processuais, a autonomia das instituições de investigação e persecução penal e as competências do STF.
Menções a ministros
Uma das referências indica contato de Vorcaro com uma pessoa apontada como Alexandre de Moraes. As mensagens vieram a público depois que André Mendonça solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre um relatório encaminhado pela PF ao STF.
Os diálogos indicam que Vorcaro teria perguntado a Moraes, dois dias antes de ser preso, em 17 de novembro de 2025, se deveria deixar o país. Também apontam que o ministro teria editado um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, sua mulher. Os dois teriam se encontrado pelo menos seis vezes desde 2024.
Mendonça recebeu Vorcaro para uma conversa em março de 2025. O encontro foi articulado pelo advogado Ciro Rocha Soares e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Em nota, Mendonça disse que o assunto foi um processo sobre precatórios de interesse do Master e que votou contra o empresário.
Mensagens também indicam que Francisco Feitosa, conhecido como Chiquinho e ex-cunhado de Gilmar Mendes, foi contratado em 2024 por Vorcaro para tratar de interesses ligados a universidades privadas. Gilmar afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca discutiu temas do MEC com Vorcaro ou Chiquinho e que votou a favor do governo, não das universidades, na ação sobre novos cursos de medicina.
Outros nomes citados
A PF identificou contrato com honorários de até R$ 427 milhões entre Vorcaro e o escritório de Camilla Ramos. Ela e o marido, o juiz federal Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, são apontados como integrantes da chamada Turma do KN. Newton negou, por meio das informações registradas, ter relação indicada nas mensagens sobre hospedagens e eventos. Uma solicitação de diária no hotel Fasano foi atribuída a Kassio Nunes Marques, que negou ter feito o pedido, trocado mensagens com Vorcaro ou autorizado terceiros a falar em seu nome.
A PF também suspeita que Dias Toffoli seja proprietário ou beneficiário final do fundo de investimento Arleen, que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro. O fundo comprou parte das cotas da Maridt, empresa dos irmãos José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli, ligada a um resort em Ribeirão Claro (PR). O gabinete de Toffoli afirmou que o ministro jamais teve relação de amizade ou intimidade com Vorcaro.
Mensagens indicam ainda que empresas ligadas a Vorcaro custearam, em maio de 2024, uma viagem de Luiz Fux a Nova York e um almoço em homenagem ao ministro. Fux disse que foi convidado diretamente pela Forbes, que palestrou em evento da revista sobre segurança jurídica e risco Brasil e que não teve contato com Vorcaro durante o almoço. Também afirmou que nunca trocou mensagens com o ex-banqueiro nem recebeu convite dele para eventos.




