São Paulo, Sábado, 3 de outubro de 2026
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EUA interferiram em eleições brasileiras de 1955 e 1962, diz pesquisa

Estudo de Dov H. Levin documenta ações americanas, ambas fracassadas, e aponta possíveis sinais de interferência no pleito de 2026.

EUA interferiram em eleições brasileiras de 1955 e 1962, diz pesquisa

Os Estados Unidos interferiram em pelo menos duas eleições brasileiras, em 1955 e 1962, segundo pesquisa do cientista político Dov H. Levin. As ações foram registradas em relatórios oficiais da diplomacia americana e em depoimentos de ex-agentes da CIA, mas não alteraram os resultados dos pleitos.

Publicado no livro “Meddling in the Ballot Box: The Causes and Effects of Partisan Electoral Interventions”, da Oxford University Press, o estudo analisou intervenções dos EUA, da Rússia e da antiga União Soviética em eleições presidenciais ou parlamentares realizadas entre 1946 e 2014.

A base de Levin reúne 187 intervenções em eleições nacionais para presidente ou primeiro-ministro. Segundo o pesquisador, professor de política e administração pública na Universidade de Hong Kong, foram cerca de 1.400 eleições no período. Isso significa que 1 em cada 8 disputas eleitorais globais sofreu algum tipo de interferência das duas potências.

Casos no Brasil

Em 1955, os Estados Unidos apoiaram um pedido de Juarez Távora, adversário de Juscelino Kubitschek, para conceder um empréstimo de US$ 75 milhões destinado a estabilizar a economia antes da eleição. Kubitschek, visto pelos americanos como simpático aos soviéticos, venceu a disputa.

Em 1962, a preocupação de Washington era João Goulart e o avanço do que os americanos percebiam como tendências de esquerda no Brasil. De acordo com Levin, a CIA teria ajudado grupos e políticos contrários a Goulart com cerca de US$ 8 milhões em financiamento de campanhas. A intervenção também fracassou.

“Nesses dois casos, sabemos com segurança que as intervenções aconteceram”, afirma Levin. Para ele, os episódios se baseiam em fontes confiáveis e não são teoria da conspiração ou desinformação.

Possíveis sinais em 2026

Levin afirma que ainda não há elementos para determinar a intenção por trás de ações americanas relacionadas ao Brasil de 2026. Ele cita a guerra tarifária e a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas. Essas medidas poderiam ser consideradas interferência se tivessem o objetivo de alterar o resultado eleitoral.

O pesquisador também menciona a possibilidade de tarifas serem usadas para favorecer Flávio Bolsonaro ou prejudicar a reeleição de Lula. Ao mesmo tempo, observa que a ameaça tarifária de Donald Trump já havia sido apresentada por razões sem relação com eleições.

A Abin classificou como “nível de criticidade” a possibilidade de influência e interferência externa dos EUA nas eleições de 2026, em relatório sobre ameaças ao processo eleitoral. O contexto inclui a reclassificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA, em maio deste ano, e a formação do Escudo das Américas, coalizão de segurança da qual o Brasil não foi convidado.

Para Levin, uma intervenção aberta pode provocar reação nacionalista e produzir efeito contrário ao pretendido. O efeito médio estimado sobre o resultado eleitoral é de 3 pontos percentuais, mas pode ser maior, menor ou inexistente.

O pesquisador diz que uma eventual interferência poderia ter impacto em uma disputa apertada, sem garantir a derrota de Lula. Ele também afirma que ainda é cedo para concluir se redes sociais e plataformas digitais tornaram esse tipo de ação mais eficaz.

Levin considera “muito estranho” o fechamento da embaixada e dos serviços consulares dos EUA no Brasil às vésperas da eleição presidencial, mas ressalta que as causas da medida não são conhecidas. Entre as possibilidades, cita um alerta confiável sobre ataques terroristas planejados contra os americanos, sem relacioná-lo necessariamente às eleições.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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