SÃO PAULO — Pedro Sang, empresário carioca apontado como articulador no Brasil da Rockbridge Network, passou a atuar na estrutura da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Ele participou da montagem do comitê do senador em São Paulo e assumiu funções de liderança na organização do espaço, com contato direto com integrantes do núcleo político do candidato.
O comitê funciona em uma casa de dois andares na Avenida República do Líbano, em frente à sede do PL e nas proximidades do Parque Ibirapuera. Pessoas ouvidas sob condição de anonimato afirmaram que Sang se apresentava no local como “Pedro da Rockbridge” e usava uma sala no segundo andar.
O empresário também teria participado de providências relacionadas a móveis e infraestrutura. Entre os nomes com os quais manteve contato estão o marqueteiro Duda Lima e os irmãos José Vicente Santini e Nelson Santini.
Sang disse que acompanha a campanha “como cidadão preocupado com o futuro do meu país” e negou financiamento da Rockbridge Network. “Nunca houve nenhum centavo transacionado” envolvendo a organização, afirmou. A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu.
Rockbridge e minerais críticos
Fundada em 2019 por J.D. Vance, atual vice-presidente dos Estados Unidos, e pelo empresário Chris Buskirk, a Rockbridge reúne investidores e apoiadores ligados à direita americana. A atuação do grupo no Brasil passou a ser discutida após acusações do candidato Renan Santos (Missão), que afirmou haver uma operação envolvendo a organização e a campanha de Flávio Bolsonaro. Os empresários citados negaram as acusações, que não foram comprovadas.
A organização também foi associada a debates sobre minerais críticos e terras raras após a divulgação de um memorando elaborado por André Marinho, aliado de Flávio Bolsonaro. O documento trazia na capa a inscrição “Flávio Bolsonaro / 2026 Campaign” e propunha uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para a exploração de minerais estratégicos.
Marinho confirmou a autoria, mas negou que o material tivesse sido produzido para a campanha ou apresentado oficialmente a autoridades americanas.
Pedido de investigação no STF
O PT apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma representação para investigar possível apoio estrangeiro irregular à candidatura. O partido pediu apuração sobre eventual violação das regras eleitorais, com acesso a dados bancários, fiscais e telemáticos, além de diligências e cooperação internacional.
Pedro Sang e Tallis Gomes foram citados no pedido e negaram participação em financiamento eleitoral. Sang afirmou que seus contatos com a Rockbridge tratavam de possibilidades de investimentos em tecnologia no Brasil. A legislação eleitoral brasileira proíbe que campanhas recebam, direta ou indiretamente, recursos de entidades ou governos estrangeiros.




