A crise do Banco Master e a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com políticos não impediu a eleição de parte dos nomes acompanhados nas disputas para o Legislativo e o Executivo. Entre os candidatos envolvidos no caso, Flávio Bolsonaro, Mario Frias, Hugo Motta, Antônio Rueda e Jaques Wagner saíram vitoriosos. Ciro Nogueira e ACM Neto perderam.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) liderou o primeiro turno da eleição presidencial, com 47%, dois pontos percentuais à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador é investigado em inquérito no STF a pedido da PF e nega irregularidades no acordo para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Ele havia pedido o equivalente a R$ 134 milhões a Vorcaro, dos quais R$ 61 milhões foram pagos.
Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo do filme e ex-secretário especial da Cultura, deve ser reeleito com mais de 90 mil votos. Ele foi alvo de operação da PF sob suspeita de desvio de recursos públicos e destinou R$ 2 milhões em emendas ao Instituto Conhecer Brasil.
Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, deve ser reeleito com mais de 120 mil votos. Mensagens extraídas pela PF mostram proximidade com Vorcaro e diálogos sobre um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões para uma empresa da cunhada do deputado. Motta afirmou que não há ilícito nos diálogos.
Outros resultados
Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, deve ser eleito pelo Rio de Janeiro. Ele admitiu ter prestado serviços de advocacia ao Banco Master entre 2023 e 2024 e afirmou que a atividade foi técnica e regular.
No Senado, Jaques Wagner (PT-BA) foi reeleito. A PF investiga suspeitas de pagamentos ligados ao banco e de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões. A defesa negou que o senador tenha recebido vantagens econômicas.
Ciro Nogueira (PP-PI) perdeu a eleição. Segundo a PF, ele mantinha relação de proximidade com Vorcaro e teria recebido pagamentos mensais inicialmente de R$ 300 mil, depois elevados para R$ 500 mil. O senador nega conduta inadequada.
Na Bahia, ACM Neto (União-BA) perdeu para Jerônimo Rodrigues (PT-BA), por 43% a 55%. Segundo o Coaf, ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag entre março de 2023 e maio de 2024. Ele confirmou os contratos e negou irregularidades.




