SÃO PAULO — Mensagens analisadas pela Polícia Federal e documentos relacionados ao caso Banco Master citam contatos pessoais e profissionais de Daniel Vorcaro com cinco ministros do Supremo Tribunal Federal. As informações alcançam Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Alexandre de Moraes, André Mendonça e Luiz Fux.
Moraes e a prisão de Vorcaro
Dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou a Alexandre de Moraes se deveria deixar o país. Em 15 de novembro de 2025, escreveu: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Na segunda-feira (17), foi detido enquanto se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.
A PF também analisou um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo a corporação, Moraes fez edições no documento antes da assinatura. O ministro nega ter se comunicado com Vorcaro e classificou a acusação como “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo Tribunal Federal”.
Documentos indicam ainda viagens de Moraes e Viviane Barci em jatos de empresas de Vorcaro ou ligadas a ele entre maio e outubro de 2025.
Toffoli deixou a relatoria
Dias Toffoli foi o primeiro relator do caso no Supremo, mas deixou a função em março. A PF havia encaminhado ao presidente da corte, Edson Fachin, um relatório sobre transferências entre uma empresa da família do ministro e fundos ligados ao Master.
Toffoli é sócio da Maridt, que tem participações no resort Tayayá. Documentos também indicam que ele viajou, em julho de 2025, em avião de uma empresa que tinha Vorcaro como sócio. O ministro se defendeu no plenário afirmando que “vários magistrados são donos de empresas”.
Encontros e pagamentos citados
Mensagens indicam um encontro de Vorcaro com André Mendonça por cerca de duas horas, em 14 de março de 2025, articulado por um advogado e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). Mendonça confirmou publicamente o encontro em 2 de setembro de 2026 e disse que a conversa durou de 20 a 30 minutos, sobre precatórios do Master.
Vorcaro também foi convidado pelo menos duas vezes para eventos do Instituto Iter, fundado por Mendonça. Em 3 de setembro deste ano, o ministro anunciou sua saída da sociedade do instituto. Dias depois, Flávio Dino pediu a Fachin uma investigação formal sobre os laços entre o Master e o Iter.
No caso de Kassio Nunes Marques, diálogos tratam de pagamentos ao advogado Kevin Marques, filho do ministro, por meio da Consult Inteligência Tributária. Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, mencionou pagamentos mensais de R$ 500 mil. Kevin afirmou ter recebido R$ 281,6 mil por serviços jurídicos tributários, sem relação com o STF.
Kassio declarou-se suspeito na terça (15) e deixou de votar em um julgamento do caso. Em nota, sua assessoria afirmou que o ministro nunca votou a favor do Banco Master e que o filho não recebeu dinheiro de Vorcaro.
Relação com o filho de Fux
Mensagens mostram proximidade entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux e também advogado. Rodrigo tratava o ex-banqueiro como “irmão” e pediu que informações sobre um compromisso em Londres fossem enviadas à secretária do ministro no Supremo, usando um endereço de email com domínio institucional da corte.
Na sessão de 15 de setembro, Fux afirmou que não havia “mensagem comigo” e que “nunca vi esse cidadão na minha vida, nunca tive relação com ele”. O escritório de Rodrigo declarou que nunca advogou, prestou serviços ou recebeu valores de Vorcaro, do Master ou de empresas e fundos ligados ao grupo.



