São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em papéis do extinto Besc

Fundo Betel concentrou 82% do patrimônio líquido do banco, que é controlado pelo grupo Record, de Edir Macedo.

Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em papéis do extinto Besc

O banco Digimais aplicou R$ 271,4 milhões em papéis do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por meio do fundo de investimentos Betel. O valor correspondia a 82% do patrimônio líquido da instituição, de R$ 331 milhões, conforme o último balanço.

O Digimais era, até janeiro deste ano, o único cotista do Betel, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enviados à CPI do Crime Organizado do Senado. Todo o dinheiro depositado no fundo estava aplicado em cártulas do Besc, certificados físicos de ações do banco extinto.

A estrutura é semelhante à usada pelo Banco Master. Fundos ligados ao Master e ao Digimais eram administrados pela Reag, gestora liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano sob acusação de violar normas do sistema financeiro.

Operações com cártulas

As cártulas foram compradas dos fundos SDG II e BB Claim. Os dois integram uma cadeia de fundos cujos proprietários finais são filhos de João Carlos Mansur, dono da Reag. O SDG II foi usado pelo Master para esconder R$ 5,4 bilhões em empréstimos.

Os certificados do Besc passaram a ser usados em fraudes depois que o banco foi comprado pelo Banco do Brasil em 2008. Na operação, os acionistas receberam ações eletrônicas do Banco do Brasil, mas não precisaram entregar os documentos físicos. Segundo o Tesouro Nacional, as cártulas têm hoje apenas valor histórico. Em cartilha divulgada em 2025, o órgão afirmou: “Nenhum ex-acionista do Besc ficou sem ter a opção de ser alçado à condição de acionista do Banco do Brasil”.

O Fundo Betel foi criado em 24 de abril de 2025, com o nome de PNG International Bank. Em 26 de junho, houve uma emissão de cotas, compradas integralmente pelo Digimais; nessa etapa, o fundo passou a se chamar Betel. O investimento em papéis do Besc aparece nas informações de julho de 2025 e segue no dado mais recente, de agosto deste ano.

Investigação sobre o banco

O Digimais é investigado pela Polícia Federal por suspeita de manipular relatórios financeiros para esconder sua situação real e aparentar solidez perante os órgãos de controle. Nesta quinta-feira (17), o banco divulgou prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre deste ano.

A investigação apura estratégias usadas para inflar o patrimônio do banco e ampliar sua capacidade de captar recursos. Entre os crimes sob análise estão gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em relatórios e concessão de empréstimos e financiamentos proibidos por lei. A compra de precatórios também está entre os focos.

O Digimais afirmou que o Betel não integra mais seu portfólio desde outubro de 2025. A declaração diverge dos dados da CVM enviados à CPI. O banco não informou quanto recebeu pelas cotas, caso o fundo tenha sido vendido. Não há menção ao Betel no balanço do Digimais, e o fundo não aparece no conglomerado prudencial da instituição no Banco Central.

O Digimais é controlado pelo grupo Record, que pertence ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Operações de fundos da Reag com papéis do Besc são investigadas pela CVM desde 2022. No caso do Master, os valores declarados em cártulas superavam R$ 850 milhões.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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