São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Documentos e vídeos levaram El Faro a deixar El Salvador, diz Carlos Dada

Jornalista afirma que o governo de Nayib Bukele negociou com gangues e ampliou prisões sem ordem judicial após o fim do pacto, em 2022.

Documentos e vídeos levaram El Faro a deixar El Salvador, diz Carlos Dada

Documentos do próprio governo, vídeos e entrevistas levaram o jornalista Carlos Dada a concluir que a administração de Nayib Bukele negociou com gangues. As investigações do El Faro, jornal do qual Dada é um dos fundadores, contribuíram para a saída do veículo de San Salvador e do jornalista de El Salvador.

Dada afirmou que o material reunia registros de entradas e saídas de líderes de gangues da prisão e mensagens trocadas entre autoridades e criminosos. Em maio do ano passado, o jornal também entrevistou, em vídeo, líderes detidos em El Salvador que estavam livres em outros países. Segundo o jornalista, as entrevistas aumentaram a pressão do governo contra o El Faro.

“Descobrimos muito rapidamente que ele tinha um pacto com as quadrilhas, e documentamos isso”, disse Dada. O jornalista afirmou que o acordo terminou em 2022 e que, depois disso, Bukele usou a polícia e o Exército para realizar capturas em massa.

Prisões e regime de exceção

Dada disse que o regime de exceção, que pela Constituição deveria durar 30 dias, já está no quinto ano. Nesse período, a polícia passou a poder prender pessoas consideradas suspeitas sem ordem judicial ou apresentação de provas.

Mais de 90 mil pessoas foram presas em quatro anos, o equivalente a uma a cada 50 pessoas, segundo o jornalista. Ele afirmou que os detidos não têm direito de ver familiares nem de falar com advogados e são submetidos a julgamentos em massa. Nesses processos, um juiz anônimo decide o destino de um grupo, em vez de analisar os casos individualmente.

Dada também afirmou que mais de 400 pessoas morreram por tortura em prisões. Para ele, a redução dos índices de violência divulgada pelo governo ocorreu enquanto as garantias básicas do Estado Democrático de Direito eram restringidas.

Controle do Estado e o modelo Cecot

O jornalista declarou que Bukele controla os três Poderes do Estado, a Promotoria, a Polícia e o Exército. “Em El Salvador, Bukele decide quem é criminoso e quem não é”, afirmou.

Dada relacionou esse controle à destruição da oposição e ao plano de segurança apresentado pelo governo. Ele disse que as comunicações do El Faro foram interceptadas com o Pegasus, sistema israelense de espionagem, e que casos de corrupção e as investigações sobre as gangues transformaram o jornal em uma ameaça para a administração.

O modelo de segurança também passou a ser associado ao Cecot, Centro de Confinamento do Terrorismo, criado em 2023. Dada afirmou que candidatos brasileiros defendem megaprisões inspiradas na unidade, mas ressaltou que jornalistas têm acesso ao Cecot e não podem entrar nas outras 22 prisões de El Salvador, que tem 23 unidades.

O jornalista disse ainda que não há acesso a informações públicas nem às cifras reais de homicídios. Para ele, o Cecot representa apenas o que o governo quer mostrar sobre seu sistema prisional. O El Faro foi fundado em 1998, depois do fim da guerra civil, encerrada em 1992. As gangues passaram a atuar como atores políticos entre 2001 e 2002, segundo Dada. Em 2015, El Salvador registrou 106 homicídios por 100 mil habitantes.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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