São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Segurança de Bukele vira aposta de candidatos da direita no Brasil

Flávio Bolsonaro e Romeu Zema defendem adaptar ao Brasil o modelo de segurança adotado pelo presidente de El Salvador.

Segurança de Bukele vira aposta de candidatos da direita no Brasil

A política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, passou a ser defendida por candidatos da direita no Brasil como resposta ao avanço da criminalidade. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) elogiou a experiência salvadorenha após reunião com um ministro do país e Romeu Zema afirmou que quer trazer e adaptar o modelo ao Brasil.

Bukele reduziu a violência das gangues com prisões em massa durante um controverso estado de exceção. Organismos de defesa dos direitos humanos, porém, denunciam prisões arbitrárias, torturas e mortes sob custódia. A estratégia também foi incorporada ao discurso de candidatos eleitos na região, como Daniel Noboa, Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori.

Flávio Bolsonaro promete construir mega-presídios de segurança máxima e classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Ele também diz considerar a experiência de Bukele inspiradora. “Se eu for pego, eu dificilmente vou sair da cadeia”, afirmou durante um ato de campanha no estado do Rio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tentará a reeleição, evita esse discurso. Sua principal proposta é a chamada asfixia financeira, com bloqueio de bens e empresas usados pelas facções para lavar dinheiro.

Apoio e críticas à linha-dura

William Correia, professor de artes marciais e candidato a deputado federal pelo partido Democracia Cristã, criou um grupo de voluntários para patrulhar as ruas de Copacabana e denunciar roubos nas redes sociais. A Justiça o proibiu, em maio, de organizar as rondas que realizou durante três anos. “Eu gostaria muito de ver o caso como em El Salvador do Bukele aqui no Brasil”, disse.

O taxista Wallace Ferreira afirma que a legislação brasileira favorece os criminosos e deixou de trabalhar à noite no Rio após um colega ser assaltado por um passageiro.

Sônia Bonfim Vicente, por outro lado, rejeita a adoção do modelo. Em 2018, sua filha, então com cinco anos, foi baleada durante uma operação na favela do Chapadão. Três anos depois, policiais mataram seu filho Samuel, de 17 anos, e seu marido em outra operação, segundo o relato dela. “O Brasil vai virar uma carnificina”, afirmou.

Para Robert Muggah, do Instituto Igarapé, a estratégia pode fragilizar garantias democráticas sem reproduzir a redução da violência observada em El Salvador. Ele avalia que o crime brasileiro é mais complexo, porque CV e PCC têm poder territorial e financeiro maior que as gangues salvadorenhas.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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