A crise migratória em Ceuta passou a ser explorada por partidos de direita e extrema direita na Espanha e em outros países europeus, segundo as análises da politóloga Carmen Lumbierres e do sociólogo Tarek Jaziri Arjona. O episódio ocorreu no momento em que a União Europeia endurecia regras sobre asilo, retorno e controle de fronteiras.
No final de julho, cerca de 80 mil pessoas vindas do Marrocos entraram de maneira irregular em Ceuta, território espanhol. A maioria retornou ao Marrocos, mas entre cinco mil e oito mil pessoas, incluindo centenas de menores, continuavam na cidade com a expectativa de permanecer de forma regular na Espanha. A estrutura local não conseguia absorver todo o contingente nem atender às necessidades de todos.
Imigração no centro do debate
Para Lumbierres, a migração se tornou uma prioridade política, sobretudo para governos conservadores e de direita. Ela afirmou que a imigração vinda de países árabes recebe tratamento diferente e disse que, em casos como o de Ceuta, o islamismo é associado à delinquência e ao terrorismo.
A politóloga avaliou que o tema deve dominar as próximas eleições em países como Espanha, França, Itália e Suécia, que terão pleitos importantes neste ano e em 2027. Na avaliação dela, a nova Comissão Europeia é mais conservadora e busca regras mais restritivas para os pedidos de asilo.
Arjona disse que a exposição constante do tema na imprensa favorece o partido que mais fala sobre imigração. Na Espanha, segundo ele, esse espaço é ocupado pelo Vox. As imagens da chegada de imigrantes provocaram comoção e sentimentos negativos, como estresse e medo, afirmou o sociólogo.
Posição do governo espanhol
Enquanto parte da Europa endurece as políticas migratórias, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, mantém uma posição mais aberta. Ele defende a imigração regular como resposta a uma necessidade econômica e ao envelhecimento da população local.
O governo espanhol também realizou uma regularização em massa de imigrantes que já viviam no país em situação irregular. Mais de um milhão de estrangeiros obtiveram autorização de residência e de trabalho por um ano após cumprir os requisitos. A gestão de esquerda sustenta que a medida facilita a entrada dessas pessoas no mercado de trabalho e reduz a economia informal.



