NOVA YORK — O medo de operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e a mudança do local de votação podem dificultar a participação de brasileiros nas eleições presidenciais do Brasil em Nova York. Neste ano, os eleitores votarão em uma instituição de ensino no Queens, em vez de Manhattan, onde funcionaram os locais de votação em 2022.
Cerca de 265 mil brasileiros estão registrados para votar nos Estados Unidos, contra quase 183 mil em 2022. O crescimento foi de aproximadamente 45% em quatro anos, segundo dados da Justiça Eleitoral. Boston reúne o maior eleitorado, com 53,4 mil pessoas aptas a votar. Depois aparecem Miami, com 40.109, e Nova York, com 39.026.
A apreensão com o endurecimento da política migratória do governo Donald Trump também afeta atividades do cotidiano. Rodrigo Godoi, da entidade Mantena, afirmou: “O clima aqui é de sobrevivência, ninguém está nem pensando nas eleições nesse momento”. Segundo ele, há pessoas com receio de ir ao supermercado, levar os filhos à escola e circular pelas ruas.
O novo local de votação fica a cerca de 16 quilômetros do Consulado-Geral do Brasil, em Manhattan, e não tem acesso direto por metrô. A jurisdição consular também atende brasileiros de Nova Jersey e da região da Filadélfia, o que pode ampliar a dificuldade de deslocamento para quem vive fora de Nova York.
Kelly Fontoura, representante legal da Imigra Foundation, pretende votar, mas calcula que precisará pegar dois trens e um ônibus para chegar ao Queens. Ela reconhece que o prédio permite a espera dos eleitores dentro das instalações, sem filas na rua, mas questiona o trajeto e afirma que a localização pode aumentar a sensação de insegurança.
A professora Renata Ross também considera o acesso mais difícil para brasileiros que chegam de Nova Jersey e dependem do transporte público. Ainda assim, disse que comparecerá: “Eu vou encontrar uma forma, porque eu vou votar, eu não vou deixar de votar”.
Organizações iniciaram um diálogo com o Consulado sobre o acesso ao espaço. De acordo com Natalia de Campos, do Comitê Defend Democracy in Brazil (DDB), os grupos pesquisaram tempo de deslocamento, custos, facilidade de acesso e a necessidade de usar diferentes meios de transporte.
O DDB pretende entregar uma carta ao Consulado com pedidos de esclarecimento e discussão sobre possíveis mudanças. Entre as justificativas para a escolha do Queens College está a possibilidade de acomodar os eleitores dentro do prédio. Campos afirmou que outros campi poderiam oferecer estrutura semelhante com acesso mais fácil por transporte público, mas disse não ter informações específicas sobre a organização da segurança no domingo da eleição.



