A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou contra a união das petições relacionadas a Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso do Banco Master. Ela também rejeitou a redistribuição da relatoria. Com o voto, o placar ficou em 4 a 3 contra a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, embora Flávio Dino tenha pedido vista e não registrado sua posição.
Cármen acompanhou o presidente do STF, Edson Fachin, além de Mendonça e Luiz Fux. Gilmar, Cristiano Zanin e Moraes votaram pela posição oposta. Nunes Marques e Dias Toffoli se declararam impedidos de participar da análise.
A sessão examina uma petição sobre a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes por supostas mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Antes da análise do mérito, os ministros discutem a questão de ordem de Gilmar.
O ministro sustenta que Fachin não deveria ter assumido a relatoria do caso de Mendonça. Também defende que o processo envolvendo Mendonça seja associado ao de Moraes. A discussão ocorre antes da decisão sobre a eventual investigação.
Críticas de Cármen Lúcia
Ao votar, Cármen Lúcia afirmou estar em “estado de profunda consternação e tristeza” diante do bate-boca no STF. Ela disse que o Judiciário tem provocado “mal estar cívico” nos brasileiros e declarou ter ficado envergonhada com a atenção dada à Corte a menos de 20 dias das eleições.
A ministra afirmou que os ministros não conseguiram assegurar rigor e serenidade ao processo. Também pediu desculpas por entender que não contribuiu o suficiente para acalmar os ânimos e conduzir melhor o julgamento.
Cármen classificou como “autoritária” a fórmula de arquivar investigações a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), em referência à defesa apresentada por Moraes e Zanin sobre a necessidade de manifestação da PGR para abrir apurações. Ela também negou sofrer pressões como juíza e afirmou que os magistrados precisam manter a independência para decidir.




