SÃO PAULO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou neste sábado, 26, a agenda de rua em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo. Ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva, percorreu o bairro e pediu mais proximidade com os apoiadores, em uma estratégia para transformar a intenção de voto em comparecimento às urnas.
Durante o percurso, Lula solicitou que o carro reduzisse a velocidade e cobrou dos seguranças espaço para se aproximar do público. Também pediu que o volume do microfone fosse aumentado. “Avisa ao rapaz do som que aumentar o volume não paga imposto”, afirmou.
O presidente ainda orientou o mestre de cerimônias a anunciar aliados presentes no ato, entre eles Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e as candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet. “Precisa citar os nomes deles”, disse.
A campanha pretende ampliar caminhadas, atos abertos e agendas nas periferias nos dias anteriores ao primeiro turno. A avaliação de aliados é que esse formato ajuda a engajar eleitores que já demonstram disposição de votar em Lula e reduz o risco de abstenção, principalmente entre eleitores de menor renda e idosos.
Temas da reta final
No ato, Lula apresentou a medida provisória assinada na sexta-feira, 25, que proíbe a atividade das bets no País, como parte da mensagem que pretende levar às ruas. “Essa é a campanha do fim da bet”, afirmou.
O presidente também criticou Flávio Bolsonaro e associou o senador às investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Lula questionou as explicações de Flávio sobre sua relação com Vorcaro e relacionou a disputa presidencial a riscos para a democracia e a soberania.
As críticas ocorreram dois dias depois da divulgação de registros encontrados pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. O material reúne cerca de três meses de diálogos e menciona seis encontros entre Flávio e o ex-banqueiro, sem confirmar que todos tenham ocorrido.
Lula também enumerou programas e resultados de seu terceiro mandato nas áreas social e econômica, em comparação com a gestão de Jair Bolsonaro. A campanha busca reforçar as realizações do governo entre eleitores já inclinados ao petista e conquistar os que ainda não definiram o voto.
No Datafolha divulgado na quinta-feira, 24, Lula aparece com 40% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio. No segundo turno, os dois têm 47% e 45%, respectivamente, dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais.
Até o primeiro turno, Lula deve acelerar viagens pelo Sudeste e pelo Nordeste, com previsão de visitar, em média, um Estado por dia. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro estão entre os principais alvos no Sudeste.



