Organizações sociais, ativistas, partidos e grupos progressistas protestaram nesta segunda-feira (07/09), em Seul, contra a possibilidade de a Coreia do Sul enviar tropas ao Estreito de Ormuz. A mobilização ocorreu em frente à sede presidencial e pressionou o governo de Lee Jae Myung a rejeitar qualquer participação militar na guerra contra o Irã.
A proposta ainda não foi confirmada pelo governo, mas os manifestantes afirmam que a Casa Azul articula um pedido de autorização à Assembleia Nacional. O possível destacamento incluiria aeronaves de patrulha marítima P-8 Poseidon, navios de apoio logístico da Marinha e unidades de desativação de explosivos (EODs).
Hwang Jeong Eun, secretária-geral do Centro de Estratégia Internacional, disse que um eventual envio seria “um capítulo vergonhoso na história coreana”. Ela defendeu o direito do povo iraniano à autodeterminação e criticou sanções, bloqueios e ações militares contra o país.
Os grupos também acusaram Lee de contradizer discursos em defesa da paz e da estabilidade. Para os manifestantes, a adesão ao conflito atenderia aos interesses de Washington e envolveria a Coreia do Sul em uma guerra sem relação com Seul. Um funcionário iraniano citado durante o ato teria alertado, no domingo (06/09), que qualquer participação sul-coreana na rota marítima equivaleria a envolvimento militar direto na agressão contra o Irã.
Kim Jin Eok, representante permanente da organização do Partido Progressista Neomeo, afirmou que os jovens sul-coreanos não deveriam ser usados em favor da hegemonia dos Estados Unidos. Ele defendeu uma solução diplomática e pacífica e disse que Lee terá de escolher entre exercer a Presidência da República da Coreia ou atender às exigências do presidente dos Estados Unidos.
Críticas sobre Irã e Palestina
A ativista Azar Brookins, nascida no Irã e residente em Seul, afirmou não defender o governo iraniano, mas ser contrária a qualquer intervenção militar contra seu país de origem. Ela disse que os ataques não distinguem governo e população e citou Iraque, Afeganistão e Vietnã como exemplos de guerras que, segundo ela, não levaram à libertação.
Hong Bo Ram, da Ação de Emergência da Sociedade Civil Coreana em Solidariedade com a Palestina, relacionou a escalada contra o Irã à perda de atenção sobre a situação dos palestinos. Ela afirmou que pelo menos 1.344 palestinos foram mortos desde o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, em outubro passado, e que o bloqueio à ajuda humanitária para a Faixa de Gaza foi reforçado após o início das hostilidades contra Teerã, em 28 de fevereiro.
Myoung Sook, da Rede de Direitos Humanos Baram, criticou o governo sul-coreano por não cumprir, segundo ela, as próprias posições defendidas na Assembleia Geral das Nações Unidas de 2024. A ativista afirmou que empresas sul-coreanas continuam exportando armas e comprando títulos do governo israelense.
Na declaração final, os grupos pediram que Lee busque a diplomacia, exija a interrupção das ações militares no entorno do Golfo e defenda um cessar-fogo imediato. As entidades também disseram que a maioria governista na Assembleia Nacional pode facilitar a aprovação de uma proposta do Executivo, mas ameaçaram ampliar a resistência caso o envio de tropas avance.



