GENEBRA — O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, cobrou dos Estados Unidos responsabilização pelas mortes de migrantes sob custódia e pediu a suspensão de deportações para locais onde essas pessoas possam sofrer danos irreparáveis.
Em discurso de abertura do Conselho de Direitos Humanos da ONU, nesta segunda-feira (7), Türk afirmou que mais quatro pessoas morreram sob custódia migratória desde junho. Com isso, o total chegou a 23 mortes apenas em 2026.
“É necessária responsabilização por estas mortes”, disse o alto comissário.
Deportações e uso da força
Türk também criticou o retorno de migrantes a lugares perigosos e a países com os quais eles não têm vínculo. Ele citou o Haiti e pediu que os Estados Unidos garantam o devido processo em todas as expulsões para terceiros países.
“Faço um apelo aos Estados Unidos para que interrompam o retorno de pessoas a locais onde possam sofrer danos irreparáveis”, afirmou ao Conselho.
O alto comissário disse ainda estar alarmado com supostos planos do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, para equipar agentes com luvas de descarga elétrica. Para Türk, a medida aumentaria a violência associada às operações.
O presidente Donald Trump colocou o combate à imigração de pessoas sem documentos entre as prioridades de seu segundo mandato, e milhares de pessoas foram detidas.
Um relatório conjunto da Human Rights Watch e da Physicians for Human Rights, publicado em junho, apontou que a taxa de mortes sob custódia do ICE alcançou o maior nível em mais de uma década.
A agência também é criticada por mortes a tiros durante operações de controle. Entre os casos estão os de dois cidadãos americanos em Minnesota, em janeiro, que participavam de protestos contra o ICE.



