PARIS — Os depoimentos dos dois únicos sobreviventes estão entre as principais evidências no julgamento de 14 pessoas por um naufrágio que matou ou fez desaparecer pelo menos 31 migrantes no Canal da Mancha.
O tribunal de Paris abriu o processo nesta terça-feira (8). Os réus, em sua maioria afegãos, são acusados de homicídio culposo, cumplicidade em imigração irregular e participação em organização criminosa.
A travessia
Os sobreviventes — um homem somali e outro iraquiano — disseram ter pago 1.500 e 2.750 euros, respectivamente, pela viagem. Os valores correspondem a 8.930 e 16.257 reais, na cotação atual.
A embarcação partiu da França com destino irregular à costa inglesa e começou a perder ar poucas horas depois da saída. O barco afundou na madrugada de 23 para 24 de novembro de 2021. Passageiros caíram na água; alguns fizeram dezenas de chamadas aos serviços de resgate franceses e britânicos, sem sucesso.
A maioria das vítimas era formada por curdos iraquianos. Também estavam no grupo migrantes do Afeganistão, Egito, Curdistão iraniano, Etiópia e Vietnã. Entre os mortos estava um menino de sete anos.
Sete soldados franceses não estão neste processo. Eles são alvo de uma ação separada por omissão de socorro às vítimas.




