Organizações de direitos civis latinos e grupos de fiscalização governamental de Denver entraram nesta quinta-feira (10/09) com uma ação judicial para impedir que agentes armados do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) cumpram mandados em locais de votação. É o primeiro processo contra o governo Donald Trump por esse tipo de medida.
A ação foi apresentada por Common Cause, LULAC e UnidosUS. O processo acusa o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, e o chefe interino do ICE, David Venturella, de permitirem a aplicação de leis de imigração civil em locais de votação.
Para os grupos, a prática viola leis federais destinadas a proteger eleições livres e justas. A legislação citada na ação proíbe militares ou outros agentes armados de permanecerem em locais onde ocorra uma eleição geral ou especial, salvo quando a força for necessária para repelir inimigos armados dos Estados Unidos.
Autoridades de Denver afirmam que a cidade tem uma grande população imigrante e pode ser alvo de operações do ICE. As autoridades eleitorais já marcaram treinamentos para mesários sobre como identificar agentes à paisana e reduzir a tensão durante eventuais interações.
O prefeito democrata de Denver, Mike Johnston, disse que a cidade lutaria “com unhas e dentes” contra a presença de agentes do ICE perto dos locais de votação. Janet Murguía, da UnidosUS, afirmou que o envio dos agentes “não é fiscalização da imigração”, mas “supressão de votos”. Juan Proaño, da LULAC, classificou a medida como tentativa de enfraquecer instituições que o governo deveria proteger.
Além da atuação do ICE, o governo Trump impôs restrições ao voto por correio, promoveu redistribuição de distritos eleitorais e ampliou esforços para identificar e deportar estrangeiros registrados para votar. O texto da ação afirma que não há evidências de fraude generalizada.


