A crise envolvendo o Banco Master e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) entrou em nova etapa após Edson Fachin assumir a condução institucional do conflito entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.
Fachin retirou do inquérito das fake news, relatado por Moraes, o pedido de investigação contra Mendonça. O presidente do STF determinou que o ministro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentem manifestações em cinco dias.
A medida veio depois de Moraes pedir a apuração de possível abuso de autoridade e outras irregularidades atribuídas a Mendonça na condução do caso Master. Na sexta-feira (04/09), Mendonça havia enviado a Fachin informações de uma investigação da Polícia Federal que identificou mensagens e contatos entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O caso também envolve a relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro e repasses ligados ao filme Dark Horse. Mendonça retirou parte do sigilo do inquérito. A decisão expôs informações sobre a investigação e ampliou o conflito entre os ministros.
A estratégia de Fachin é levar a disputa para os mecanismos colegiados do STF, em vez de concentrá-la em decisões individuais. Em declaração à imprensa na sexta-feira (05/09), ele afirmou: “a gravidade dos fatos não autoriza atalhos”. Fachin também defendeu a observância da legalidade, do devido processo legal e das garantias constitucionais.
Depoimentos e relações sob análise
Vorcaro foi ouvido pela Polícia Federal em 28 de agosto, durante cerca de quatro horas. Ele reiterou disposição para colaborar com as investigações e discutir um eventual acordo de delação premiada. A PF já havia recusado propostas anteriores.
Em 27 de agosto, o ex-banqueiro também prestou depoimento a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, sem a presença de policiais federais. O gabinete confirmou a oitiva e disse que ela ocorreu a pedido da defesa, após Vorcaro relatar intimidações. Um representante do Ministério Público acompanhou o ato.
O conteúdo desse depoimento continua sob sigilo. O gabinete de Mendonça afirmou que não foram tratados assuntos relacionados a Moraes. Vorcaro também reconheceu que mantinha relação social anterior com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e disse que ele havia participado de eventos ligados ao banco. Essa declaração ainda está sujeita à apuração.
O encontro entre Mendonça e Vorcaro ocorreu em março de 2025, fora da agenda oficial, no Instituto Iter, ligado ao ministro. Mendonça afirma que recebeu o empresário uma única vez para ouvi-lo sobre créditos de precatórios de interesse do Banco Master. Segundo o ministro, sua decisão no processo foi contrária à posição defendida pelo banqueiro.
Críticas à atuação de Mendonça
O cientista político Francisco Fonseca avaliou que a atuação de Mendonça tornou o caso mais confuso. Para ele, há seletividade no que o ministro deixa vir a público, nos processos que abre e nas informações que divulga.
Fonseca também citou processos envolvendo Fábio Luís, filho de Luiz Inácio Lula da Silva, após a CPMI do INSS quebrar o sigilo e não encontrar irregularidades. O cientista político questionou o motivo para a abertura de mais três processos.
Na avaliação de Fonseca, o episódio representa a continuidade de práticas associadas ao chamado “lavajatismo”, em referência à Operação Lava Jato. Ele comparou a atuação de Mendonça à de Sérgio Moro e afirmou que o ministro deveria aplicar critérios de isonomia e neutralidade.



