CIDADE DE GAZA — Um prédio danificado por ataques israelenses desabou na madrugada desta quarta-feira (16/09), deixando 20 palestinos mortos, 25 feridos e dezenas de desaparecidos. O balanço é do Ministério da Saúde de Gaza, que prevê aumento no número de vítimas. Entre os mortos, pelo menos 13 são mulheres e crianças.
Cerca de 100 palestinos dormiam no edifício, que também atingiu tendas instaladas nas proximidades. O diretor-geral do Ministério da Saúde, Mounir al-Bursh, afirmou que as famílias registraram mais de 75 desaparecidos, incluindo 50 crianças.
Equipes da Defesa Civil atuam desde a madrugada na retirada de sobreviventes e corpos. A operação também conta com o Ministério da Saúde e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), mas enfrenta falta de máquinas, equipamentos pesados, combustível e peças de reposição.
“Ainda é possível ouvir vozes pedindo socorro sob os escombros”, disse Al-Bursh. Segundo ele, os recursos disponíveis não são suficientes para remover os blocos de concreto e alcançar as pessoas presas.
O assessor do Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza, Tayseer Mheisen, afirmou que normalmente a busca por sobreviventes dura cerca de três dias. Neste caso, porém, a Defesa Civil estima que os trabalhos possam se estender por dias ou semanas devido à falta de equipamentos.
Em comunicado, o Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza responsabilizou a ocupação e a comunidade internacional pela situação e pediu a abertura de todas as passagens para a entrada de equipamentos, suprimentos de resgate e ajuda humanitária.
O edifício abrigava palestinos deslocados pela guerra e apresentava problemas estruturais após os bombardeios. As autoridades palestinas estimam que cerca de 2 mil prédios danificados continuam ocupados por dezenas de milhares de pessoas por falta de alternativas de moradia.
Segundo o PNUD, cerca de 400 construções estão sob risco de desabamento. Alessandro Mrakic, diretor do programa em Gaza, afirmou que a operação é uma corrida contra o tempo. Ele também disse que os moradores retornam a prédios danificados diante da falta de espaço e de opções de habitação.
As autoridades afirmam ainda que cerca de 8.500 pessoas permanecem desaparecidas sob escombros de edifícios em toda a Faixa de Gaza.



