EQUADOR — O presidente Daniel Noboa decretou estado de emergência por 60 dias em oito províncias e três cantões do país. A medida entrou em vigor nesta terça-feira (15/09), após a assinatura do Decreto Executivo nº 498, com justificativa de grave agitação interna e escalada da violência criminal.
A decisão alcança El Oro, Esmeraldas, Guayas, Los Ríos, Manabí, Pichincha, Santa Elena e Santo Domingo de los Tsáchilas. Também estão incluídos os municípios de Camilo Ponce Enríquez, na província de Azuay; Las Naves, em Bolívar; e La Maná, em Cotopaxi.
Durante a emergência, ficam suspensos os direitos constitucionais à inviolabilidade do domicílio e da correspondência. As Forças Armadas e a Polícia Nacional poderão realizar buscas imediatas mediante comprovação de crime, além de cumprir mandados de busca e apreensão.
Entre 17 e 30 de setembro de 2026, haverá toque de recolher entre meia-noite e 5h nas províncias costeiras de El Oro, Guayas, Los Ríos e Manabí. De acordo com o decreto, essa é a terceira restrição desse tipo imposta no ano.
Homicídios e operações
O governo informou que foram registrados 442 homicídios dolosos entre 16 de agosto e 10 de setembro de 2026 nas oito províncias atingidas. Guayas concentrou 187 casos; El Oro, 80; Manabí, 73; Los Ríos, 52; Santa Elena, 20; Esmeraldas, 15; Pichincha, 12; e Santo Domingo de los Tsáchilas, três.
Relatórios do Centro Nacional de Inteligência, da Polícia Nacional e das Forças Armadas apontam disputas territoriais entre Los Lobos, Los Choneros, Tiguerones, Águilas e Fatales. Os grupos são associados a tráfico de drogas e armas, mineração ilegal, sequestro e extorsão.
Nas ações anteriores, 32.370 militares participaram de mais de 317.000 operações, que levaram à detenção de 476 pessoas e à apreensão de 306 armas de fogo e mais de 8.000 cartuchos. O país mantém a classificação de conflito armado interno, adotada por Noboa em 2024. Em 2025, o Equador registrou aproximadamente 9.300 homicídios, segundo dados do Ministério do Interior.



