NOVA DELHI — A 18ª Cúpula do BRICS começou neste sábado (12/09), na capital indiana, com os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia entre os principais temas. Durante dois dias, os líderes dos onze países do bloco também discutirão comércio, energia e governança global.
O presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, criticou a atuação dos Estados Unidos no Oriente Médio, em referência à guerra entre os dois países e à disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. Em encontro com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, à margem da cúpula, Pezeshkian afirmou: “Não precisamos de um policial para a região”.
O presidente chinês, Xi Jinping, declarou que a guerra não atende aos interesses comuns da comunidade internacional e defendeu uma saída baseada no diálogo. Sua presença é um dos destaques do encontro em Nova Delhi. Xi voltou à capital indiana neste sábado pela primeira vez desde 2019.
Em 2020, soldados chineses e indianos entraram em confronto na fronteira do Himalaia, deixando dezenas de mortos. Desde então, Pequim e Nova Délhi tentam reconstruir o diálogo, embora a disputa territorial continue sem solução. O governo indiano informou que Xi deverá se reunir com o primeiro-ministro Narendra Modi ainda neste sábado.
Oriente Médio e petróleo
Antes da abertura dos trabalhos, Modi recebeu Pezeshkian em Nova Délhi. Após os ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã, no final de fevereiro, Teerã impôs restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz. Antes do conflito, a rota respondia por cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
A interrupção contribuiu para a alta das cotações. Nesta semana, o barril de Brent voltou a superar 100 dólares. Rússia e China mantêm relações comerciais com o Irã, enquanto os Emirados Árabes Unidos suspenderam parte dos intercâmbios comerciais e financeiros com Teerã após ataques com mísseis iranianos em agosto.
Ucrânia e participação brasileira
Na sexta-feira (11/09), Modi e o presidente russo Vladimir Putin conversaram sobre as guerras no Oriente Médio e no Leste Europeu. O governo indiano afirmou que o primeiro-ministro reiterou a defesa do diálogo e da diplomacia.
O Brasil participa do encontro com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A diplomacia brasileira pretende defender a reforma da governança global, o fortalecimento do multilateralismo e maior participação dos países em desenvolvimento nas instituições internacionais.
Criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia e China, com a entrada posterior da África do Sul, o BRICS reúne atualmente países que representam cerca de metade da população mundial, 40% do Produto Interno Bruto global e mais de um quarto do comércio internacional. Ao fim da cúpula, os líderes tentarão aprovar uma declaração conjunta diante das divergências sobre os conflitos e as relações entre seus integrantes.



