A cúpula dos BRICS na Índia colocará à prova as relações entre os integrantes do grupo, especialmente diante das divergências sobre o Irã, a guerra na Ucrânia, energia e comércio. O encontro reunirá presidentes da Rússia, China e Irã, além de representantes de outros países do bloco.
Vladimir Putin e Masoud Pezeshkian devem chegar na sexta-feira (10) a Nova Délhi. Os dois têm reuniões previstas com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi. A presença do presidente chinês, Xi Jinping, foi confirmada pelo governo de Pequim. Será a primeira visita de Xi à Índia desde 2019, em um movimento de aproximação entre as duas potências.
O Brasil não terá Luiz Inácio Lula da Silva na reunião. O país deve ser representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no encontro de 12 e 13 de setembro. Lula decidiu não comparecer para se concentrar na campanha pela reeleição nas eleições de outubro.
O conflito iniciado em fevereiro no Oriente Médio, após ataques americanos e israelenses contra o Irã, deve ocupar parte relevante das discussões. O impacto da guerra sobre os preços do petróleo e do gás também estará entre os temas centrais.
China e Rússia mantêm o comércio com o Irã, apesar das ameaças reiteradas de sanções feitas por Donald Trump. A posição contrasta com a de Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, países hostis a Teerã e atingidos por represálias iranianas nos últimos meses. O presidente dos Emirados, Mohamed Bin Zayed al Nahyan, deve viajar à Índia.
Shilan Shah, da Capital Economics, afirmou que a guerra contra o Irã testa a coesão do grupo. Para Harsh V. Pant, da Observer Research Foundation, o conflito será a principal divisão da cúpula.
A Índia mantém relações cordiais com o Irã, mas busca preservar o equilíbrio com os Estados Unidos. Como aliada tradicional da Rússia, continuou importando petróleo russo apesar das sanções americanas. O encontro entre Putin e Modi, seis meses após a última visita do presidente russo ao país, também servirá para avaliar a força dessa relação.
O comércio entre os membros será outro ponto de tensão. A China amplia suas exportações para parceiros dos BRICS, começando pela Índia. Shah disse que Pequim deveria estimular o comércio dentro do grupo, mas que alguns países podem interpretar a iniciativa como defesa dos interesses chineses. Nova Délhi ficará praticamente isolada pelas forças de segurança a partir de sexta-feira.



