Em 15 de setembro de 1963, uma bomba explodiu na Igreja Batista da Rua 16, em Birmingham, no Alabama, durante o culto dominical. O ataque matou quatro meninas negras, com idades entre 11 e 14 anos, e feriu ao menos 22 pessoas.
As vítimas foram Addie Mae Collins, Cynthia Wesley, Carole Robertson e Carol Denise McNair. O atentado foi cometido por integrantes da Ku Klux Klan ligados à milícia supremacista conhecida como “Cahaba Boys”.
Ataque em meio à mobilização negra
A igreja era um centro de organização da comunidade negra de Birmingham e sediava reuniões da Conferência de Liderança Cristã do Sul (SCLC), além de servir como ponto de partida para manifestações contra a segregação.
Na madrugada de 14 para 15 de setembro de 1963, Robert Edward Chambliss, Thomas Edwin Blanton Junior, Bobby Frank Cherry e Herman Frank Cash esconderam sob uma escadaria lateral uma caixa com ao menos uma dúzia de cartuchos de dinamite e um temporizador. A explosão foi programada para o início do culto, quando o templo estaria cheio, principalmente de crianças.
Por volta das 10h, Carolyn Maull, de 15 anos, atendeu ao telefone da escola dominical. Uma voz masculina disse “três minutos” e desligou. Pouco depois, a bomba detonou, destruindo uma parede, abrindo uma cratera no hall, arrancando a escada de concreto e estilhaçando os vitrais.
Os corpos das quatro meninas foram encontrados sob os escombros do banheiro feminino. Carol Denise McNair tinha 11 anos. Cynthia Wesley e Carole Robertson tinham 14 anos, assim como Addie Mae Collins. Sarah Collins, irmã de Addie Mae, sobreviveu, mas perdeu o olho direito.
A explosão ocorreu durante uma campanha de desobediência civil liderada por Martin Luther King e pela SCLC. Em maio de 1963, estudantes negros haviam participado da “Cruzada das Crianças”, reprimida pela polícia com prisões, cães e jatos d’água. Em 9 de setembro, John Kennedy federalizou a Guarda Nacional do Alabama, depois que George Wallace tentou impedir a entrada de estudantes negros na Universidade do Alabama.
Investigação e condenações
O FBI identificou os quatro suspeitos até 1965, mas o diretor John Edgar Hoover impediu o compartilhamento das provas com os promotores estaduais. Em 1968, a agência encerrou o inquérito sem apresentar denúncias.
O caso foi reaberto em 1971 por ordem de Bill Baxley, procurador-geral do Alabama. Robert Edward Chambliss foi condenado à prisão perpétua em 1977 pelo assassinato de Denise McNair e morreu na cadeia em 1985. Herman Cash morreu em 1994 sem ser formalmente acusado.
Na década de 1990, o FBI retomou a investigação e recuperou gravações, depoimentos e outras evidências. Thomas Blanton Junior recebeu quatro sentenças de prisão perpétua em 2001. Bobby Frank Cherry foi condenado no ano seguinte e morreu na prisão em 2004.
O atentado fortaleceu o apoio político à Lei dos Direitos Civis de 1964, que extinguiu formalmente a segregação em espaços públicos nos Estados Unidos. Em 2013, no quinquagésimo aniversário do ataque, as quatro meninas receberam postumamente a Medalha de Ouro do Congresso.




