São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Vorcaro diz ter bancado voos de Nikolas Ferreira em mensagens

Ex-banqueiro reclamou de críticas do deputado a evento do Banco Master em Londres e afirmou ter pago viagens dele.

'Esse Nikolas, eu banquei todos os voos dele', disse Vorcaro em mensagens
Foto: Reprodução/Rede Social

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro criticou postagens do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) contra a presença de autoridades em um evento patrocinado pelo Banco Master, realizado em Londres, em abril de 2024. Em uma mensagem, afirmou que havia pago todos os voos do parlamentar.

O que aconteceu

O comentário foi feito durante uma conversa entre Vorcaro e o empresário Flávio Carneiro. Naquele mês, o ex-banqueiro escreveu: "Esse Nikolas, eu banquei todos os voos dele". A mensagem não especifica quais viagens teriam sido custeadas.

Nikolas reconheceu que teve dois contatos com Vorcaro, mas negou ter tratado de qualquer assunto irregular. Ao ser questionado, o deputado declarou que não houve contrato fechado e que nunca recebeu dinheiro do ex-banqueiro.

Em 2022, Nikolas utilizou um jatinho de Vorcaro durante cerca de dez dias para fazer campanha para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pastor Guilherme Batista, da Igreja Lagoinha, liderada pelo pastor André Valadão, também viajou com o deputado. Quando o uso da aeronave veio a público, Nikolas afirmou que, inicialmente, desconhecia a identidade do proprietário do avião.

Na conversa com Carneiro, Vorcaro deu a entender que poderia tornar o deputado público. Em um trecho, escreveu "Vouch [sic] mandar soltsr isso", aparentemente com erros de digitação nas palavras “vou mandar soltar isso”.

Carneiro respondeu classificando as manifestações públicas de Nikolas como “babaquice” e afirmou que elas poderiam gerar consequências. O empresário escreveu que, se os ataques não parassem, o assunto poderia chegar ao Congresso e que as declarações estavam sendo usadas para atingir os envolvidos sem avaliar os efeitos.

O evento mencionado era o 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado pelo Grupo Voto e financiado pelo Master. Entre os participantes estavam o ex-presidente Michel Temer; o procurador-geral da República, Paulo Gonet; o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; e ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Também participaram integrantes do Superior Tribunal de Justiça e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministros de Estado, como Ricardo Lewandowski, da Justiça, e Jorge Messias, da Advocacia Geral da União, além de parlamentares.

Na época, Nikolas questionou a falta de transparência e afirmou que pediria informações sobre o custeio das viagens. Em uma publicação no X, disse que solicitaria, por meio da Lei de Acesso à Informação, dados para saber se as despesas da viagem dos ministros do STF, STJ e TSE, junto com ministros e aliados de Lula, a um evento em Londres haviam sido pagas com recursos públicos. O deputado também defendeu que fosse esclarecido o “real motivo” dos deslocamentos.

Em outra versão da publicação, Nikolas voltou a mencionar os gastos dos ministros do STF, STJ e TSE e citou Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Dias Tofolli e Benedito Gonçalves.

Vorcaro procurou André Valadão para reclamar das publicações. Segundo o ex-banqueiro, o evento reunia pessoas de direita e apoiadores, inclusive pessoas que haviam apoiado Nikolas, como ele próprio e outros participantes. Vorcaro afirmou ainda que o deputado teria incentivado a propagação de um ataque contra ele.

Valadão disse ter conversado com Nikolas. Conforme o relato, o deputado afirmou que não sabia que o evento em Londres havia sido pago pelo Master. O pastor relatou que falou com Nikolas sobre o apoio que tinham e que algumas informações chegavam ao parlamentar de forma diferente da realidade.

O dono do Master, então, perguntou se os dois continuavam do mesmo lado ou se haviam passado a ser adversários.

Em março de 2025, em um áudio enviado a Vorcaro, Nikolas retomou o assunto e se desculpou pelas publicações críticas ao banqueiro. O deputado disse que havia conversado com Valadão na época e explicado que não sabia que o banco de Daniel Vorcaro estava envolvido. Afirmou que, se soubesse, não teria feito a postagem e teria falado antes com o ex-banqueiro. Também declarou que uma palavra dita não poderia ser retirada, mas esperava que a situação tivesse sido esclarecida e propôs marcar um encontro.

Na gravação, Nikolas chama Vorcaro de “Dani” e pede ajuda para um amigo. O pedido foi encaminhado por áudio de WhatsApp em 30 de março de 2025, em nome do advogado Thiago Rodrigues de Faria, que foi assessor do deputado.

No encerramento da gravação, não é possível identificar com clareza se Nikolas diz “abraço aí, Dani” ou “um abraço, lindão”. O parlamentar ironizou no Instagram a interpretação de que teria usado a segunda expressão e afirmou, em um story, que publicaria um vídeo sobre o assunto. Na gravação publicada, disse que estava cortando o cabelo para ficar “lindão”.

No áudio, Nikolas cumprimenta Vorcaro, pede desculpas por incomodá-lo em um domingo e explica que um amigo e advogado havia falado com ele sobre um ativo minerário. Segundo o deputado, o ativo já havia passado pela ficha técnica da equipe do empresário e continuava pendente na empresa. Nikolas afirmou que não sabia exatamente do que se tratava, mas que confiava plenamente no amigo e poderia encaminhar o contato para que as partes tratassem do assunto, colocando-se à disposição.

O áudio foi enviado por Nikolas Ferreira a Daniel Vorcaro.

Após a repercussão, o deputado publicou um vídeo em que negou ter proximidade com Vorcaro e afirmou que não o chamou de lindão. Nikolas disse que a expressão não aparece em nenhum momento da fala e questionou por que isso seria relevante. Segundo ele, a intenção teria sido apresentar a situação como se houvesse uma relação próxima com Vorcaro, comparando-a à relação atribuída a Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, que, conforme declarou, ficariam com o ex-banqueiro fumando charuto e tomando uísque.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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