São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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É falso documento atribuído à PF sobre mensagens de Nikolas e Vorcaro

Polícia Federal negou autoria de documento compartilhado nas redes; ferramenta da OpenAI apontou uso de inteligência artificial.

É falso documento em que PF diz não ver crime em mensagens de Nikolas e Vorcaro
Foto: Reprodução/OpenAI

Não é verdade que a Polícia Federal (PF) tenha afirmado, em relatório, não haver indícios de crime nas conversas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A corporação negou ter produzido o documento compartilhado nas redes pelo parlamentar e por apoiadores. Além disso, a ferramenta de verificação da OpenAI indicou que o conteúdo foi gerado por modelos de inteligência artificial.

Publicações que reproduziam o documento falso somavam ao menos 500 mil visualizações no X nesta quinta-feira (3).

Documento falso atribuído à PF

Não é verdadeiro o arquivo atribuído à PF que afirma que as mensagens trocadas por Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro não apresentariam qualquer indício de crime e apenas demonstrariam “contato de natureza pessoal e profissional entre os interlocutores”.

A Polícia Federal afirmou nesta quinta-feira (3) que o documento é falso. A corporação destacou que não produziu nem a imagem nem o conteúdo da página que circula nas redes.

Além disso, o arquivo foi enviado à ferramenta de verificação da OpenAI, que identificou a presença do SynthID. Trata-se de uma marca d’água digital inserida em conteúdos criados ou editados com inteligência artificial e desenvolvida para continuar detectável mesmo depois de alterações no arquivo.

Consultada, a OpenAI confirmou que a presença do SynthID mostra que houve algum tipo de manipulação com ferramentas de inteligência artificial.

O documento também contém inconsistências que podem estar relacionadas a falhas na geração de conteúdo sintético, entre elas:

  • O emblema da PF exibido na imagem não é igual ao oficial. Na versão original, as fitas têm contornos e dobras mais definidos, além de um desenho um pouco diferente daquele usado no documento falso;

  • Outra divergência aparece no acento agudo da palavra Polícia. No emblema original, o sinal é substituído por um triângulo;

  • A numeração dos itens não respeita uma sequência lógica: passa de 7 diretamente para 7.3, sem incluir 7.1 e 7.2;

  • Existem erros de português, como a expressão contato salvado, em vez de contato salvo;

  • As datas também não são coerentes. O documento teria sido elaborado no mesmo dia da extração dos dados, no dia 18 — um dia depois da prisão de Daniel Vorcaro;

  • A montagem emprega elementos e denominações que não costumam ser usados em documentos oficiais da PF, como emojis e o termo Relatório de Análise de Dados.

Nikolas foi mencionado nesta quinta-feira (3) em reportagens que divulgaram mensagens e áudios nos quais o deputado pede ajuda a Vorcaro para liberar “um ativo de minério” em março de 2025. Em outro trecho, o ex-dono do Master afirma que bancou todos os voos do deputado.

Em um vídeo publicado depois da divulgação das reportagens, Nikolas negou ter proximidade com o ex-banqueiro e declarou que as mensagens não mostram nada relevante. O próprio deputado publicou o documento falso em seus stories no Instagram.

Procurada, a assessoria de Nikolas disse que ele não sabia que o documento era falso e que republicou o conteúdo divulgado originalmente por outro portal.

A legislação brasileira prevê punições para a falsificação de documentos e de símbolos de órgãos públicos. O Código Penal estabelece pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa, para quem falsifica total ou parcialmente um documento público. A mesma punição também se aplica a quem falsifica ou usa de forma indevida marcas, logotipos, siglas ou outros símbolos empregados para identificar órgãos da administração pública.

A definição da responsabilidade pela montagem, contudo, depende da análise das circunstâncias em que ela foi produzida e divulgada, além da identificação do verdadeiro autor da foto do documento falso.

Colaboraram Luiza Vezzá e Giovanna Massaro

O caminho da apuração

Inicialmente, a imagem foi submetida à ferramenta de verificação da OpenAI, que confirmou a manipulação com uso de inteligência artificial. Depois, foi feita uma análise das inconsistências presentes na imagem do documento.

Na sequência, a Polícia Federal foi procurada e confirmou que a imagem não havia sido produzida pela corporação.

Também foi procurada a assessoria de Nikolas Ferreira.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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