SÃO PAULO — As relações do banqueiro Daniel Vorcaro com políticos de direita revelam uma disputa interna nesse campo, na avaliação do cientista político Paulo Niccoli Ramirez, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Em entrevista, ele afirmou que Vorcaro ampliou sua presença entre diferentes níveis da política e que a reação da extrema direita tenta deslocar o foco das investigações.
Na quinta-feira (3), foram divulgadas informações sobre supostas doações de Vorcaro para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em 2022. O banqueiro também aparece relacionado ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que teria pedido recursos para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o pai.
Ramirez disse que as notícias indicam que “Vorcaro se enraizou em diferentes níveis da federação, passando por municípios, estados, pelos poderes federais”. Segundo o professor, setores da direita tentam atribuir responsabilidade ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto deixam em segundo plano as relações financeiras com Vorcaro e a família Bolsonaro.
Sigilo e disputa no STF
O cientista político também questionou a atuação do ministro do STF André Mendonça. Mendonça manteve sob sigilo as investigações relacionadas ao filme biográfico de Bolsonaro e autorizou a divulgação de informações referentes ao ministro Alexandre de Moraes.
Para Ramirez, havia um entendimento informal de que as investigações sobre o Banco Master e a publicação dos casos avançariam depois das eleições. Ele avaliou que esse acordo foi rompido e levantou dúvidas sobre os motivos da decisão.
Na análise do professor, Lula acaba beneficiado porque permitiu liberdade de atuação à Polícia Federal. Os principais atingidos seriam políticos de direita e de centro. Ramirez citou ainda o presidente do Senado, Alcolumbre, que teria confrontado Flávio Bolsonaro ao defender Alexandre de Moraes. Para ele, o episódio representa “uma guerra declarada da direita contra a direita”.



