São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Flávio Bolsonaro pausa campanha para tentar barrar PEC que acaba com escala 6×1

Senadores bolsonaristas devem pressionar por mudanças no texto de Omar Aziz, que aceita ouvir sugestões, mas rejeita alterar a proposta da Câmara.

Flávio Bolsonaro interrompe campanha presidencial para tentar barrar a PEC da 6×1

Disputa pela proposta

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) suspendeu a campanha presidencial nesta terça-feira 1º e cumprirá agenda em Brasília para tentar influenciar a tramitação da PEC que extingue a escala 6×1. A estratégia do candidato é “construir” uma alternativa ao texto apoiado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e impedir que a redução da jornada de trabalho se torne uma das principais bandeiras eleitorais do petista na etapa final da campanha.

A ofensiva deve atingir o relatório elaborado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), previsto para quarta-feira 2. Senadores bolsonaristas querem pressionar pela inclusão de emendas no texto. Aziz disse que aceita conversar com os colegas e escutar as sugestões, mas não planeja incorporar alterações ao relatório nem modificar a versão aprovada pela Câmara. Na avaliação do relator, conservar o texto atual também contribui para acelerar a tramitação da proposta.

A movimentação da oposição acontece no momento em que a PEC encontrou um percurso mais definido no Senado. O texto reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal, fixa dois dias de repouso semanal remunerado e preserva a garantia de salário. A proposta ainda acaba com o modelo de seis dias trabalhados para um dia de descanso.

Cálculo eleitoral

A estratégia de Flávio tem um aspecto explicitamente eleitoral. Pessoas próximas ao candidato admitem que se posicionar simplesmente contra o fim da 6×1 é uma postura difícil de defender diante da popularidade da mudança. Pesquisa Quaest divulgada em 15 de julho mostra que 69% dos brasileiros apoiam o fim da escala, enquanto 22% são contrários. Para a campanha, permitir que Lula ocupe esse espaço sozinho daria ao presidente a possibilidade de retratar a direita como adversária de uma medida com grande apelo entre os trabalhadores.

Por essa razão, Flávio passou a apoiar uma proposta apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha. Em vez de definir constitucionalmente uma nova jornada, a PEC alternativa estabelece um modelo baseado no pagamento por hora trabalhada e na possibilidade de o trabalhador escolher a quantidade de horas e os horários de trabalho. O texto também determina que o que for combinado entre patrão e empregado prevaleça sobre convenções e acordos coletivos.

Flávio procura apresentar a ideia como uma defesa da “liberdade de escolha”. Em entrevista à Record, no domingo 30, afirmou que o trabalhador poderia decidir quanto deseja trabalhar e receber de forma proporcional às horas cumpridas. Como exemplo, mencionou mulheres que precisam diminuir a jornada por não terem com quem deixar os filhos.

A articulação também integra a estratégia de Rogério Marinho para dificultar a votação. O líder da oposição no Senado pretende usar instrumentos regimentais, como pedidos de vista e debates sobre emendas, além de rejeitar acordos que encurtem os prazos de análise da PEC em dois turnos.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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