A procura pela primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) cresceu 216% no Brasil entre janeiro e agosto de 2026, após uma redução de até 80% nos custos e de burocracias. Foram 7,3 milhões de pedidos no período, ante 2,3 milhões no mesmo intervalo do último ano. Em 9 meses, cerca de 2 milhões de novos condutores foram habilitados.
O novo modelo gerou uma economia estimada em R$ 8,6 bilhões para a população. O cálculo considera o fim da exigência de aulas teóricas presenciais, a redução das aulas práticas, o corte de taxas administrativas e a menor necessidade de deslocamentos. Para as categorias A e B, o custo médio passou a R$ 1.256, contra valores entre R$ 3 mil e R$ 5 mil nas grandes capitais.
Como funciona o novo modelo
O aplicativo oficial “CNH do Brasil” oferece estudo teórico gratuito e 100% digital, sem carga horária presencial mínima. Na etapa prática, o candidato precisa cumprir pelo menos 2 horas de treinamento e pode usar veículo próprio ou contratar instrutores autônomos credenciados.
O processo deixou de expirar após 12 meses. Também há renovação sem taxa e emissão automática para condutores sem multas nos últimos 12 meses registrados no cadastro positivo.
A instrução autônoma respondeu por 13,2% das 4,2 milhões de etapas práticas realizadas. Foram 553 mil processos conduzidos fora do modelo tradicional das autoescolas.
Renovação e tempo de espera
A isenção de taxas e a renovação automática beneficiaram 1,73 milhão de motoristas classificados como bons condutores. A economia direta estimada foi de R$ 1,44 bilhão. Para receber o benefício, é necessário manter cadastro ativo no Registro Nacional de Condutores Positivos (RNPC) e não acumular infrações de trânsito nos últimos 12 meses.
O tempo de espera caiu cerca de 30%. Ainda assim, 40,6% dos candidatos levam mais de 180 dias para concluir o processo, enquanto 4% obtêm a aprovação final em 30 dias.
O Ministério dos Transportes afirma que a checagem permanece baseada em biometria, exames médicos obrigatórios e avaliações teóricas e práticas unificadas. A métrica oficial da pasta aponta queda de 77% nas infrações cometidas por recém-habilitados nos primeiros meses de circulação.
Até agosto deste ano, 478 autoescolas fecharam voluntariamente, contra 266 no mesmo período de 2025. O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que “Diversas autoescolas inclusive aumentaram seu faturamento no novo cenário”.
Diferenças regionais e por gênero
O Nordeste concentrou 54,7% dos pedidos da primeira CNH, e o Norte, 31,9%. Sudeste e Sul tiveram as menores adesões aos instrutores autônomos, com 5,4% e 3,3%, respectivamente. Essas regiões reduziram o tempo de conclusão em 20,5% e 42,4%.
Entre as mulheres, os pedidos subiram 190.019, ou 18%, passando de 1.056.960 em 2025 para 1.246.979 em 2026.



