O petróleo bruto é o principal vetor da melhora do superávit comercial brasileiro em 2026, segundo análise do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV). A indústria extrativa sustenta os saldos positivos com China e União Europeia, enquanto a indústria de transformação mantém déficits com os três principais parceiros comerciais.
No acumulado de janeiro a agosto, o Brasil registrou superávit em agropecuária e extrativa e déficit em transformação nas relações com China, União Europeia e Estados Unidos.
Com a China, o saldo positivo da indústria extrativa foi de US$ 33,8 bilhões, acima dos US$ 27,9 bilhões da agropecuária. A indústria de transformação teve déficit de US$ 36,1 bilhões. Na União Europeia, a extrativa gerou superávit de US$ 11,2 bilhões, enquanto a agropecuária alcançou US$ 7,8 bilhões. O déficit manufatureiro foi de US$ 15,8 bilhões.
Petróleo ganha espaço nas exportações
Nos Estados Unidos, o déficit da transformação ficou em US$ 4,6 bilhões. Os saldos positivos da agropecuária, de US$ 1,1 bilhão, e da extrativa, de US$ 0,4 bilhão, não foram suficientes para compensar o resultado industrial negativo. A FGV afirma que a sobreposição das pautas exportadoras de Brasil e Estados Unidos limita a expansão do superávit brasileiro nesses setores.
Em agosto, o petróleo bruto respondeu por 14,6% das exportações brasileiras, à frente da soja, com 13,3%. No acumulado até agosto, porém, a soja liderou, com 15,7%, e o petróleo ficou em seguida, com 14,7%.
O saldo do petróleo bruto foi estimado em US$ 32,3 bilhões no ano até agosto. Considerando o déficit de US$ 4,9 bilhões em derivados, o saldo líquido de petróleo e derivados chegou a US$ 27,3 bilhões, equivalente a 49,4% do superávit total do período.
A FGV relaciona parte desse desempenho ao conflito no Irã, que afetou preços e rotas e levou importadores a buscar fornecedores fora das áreas de maior risco. O relatório também aponta pressão para conciliar os ganhos comerciais do petróleo com os compromissos da transição energética.
Na transformação, o Brasil teve déficit com 18 dos 23 setores manufatureiros no comércio com a China, com 17 na União Europeia e com 12 nos Estados Unidos. Produtos alimentícios, produtos de fumo e celulose foram superavitários nos três mercados.
A avaliação da FGV é que os Estados Unidos oferecem oportunidades para ampliar as exportações manufatureiras. Na União Europeia, esse avanço dependeria dos desdobramentos do acordo com o Mercosul. Na China, dependeria dos investimentos que o país venha a realizar no Brasil. O Icomex projeta superávit maior em 2026 do que em 2025, apoiado na indústria extrativa, enquanto a transformação continua como foco de vulnerabilidade nas contas bilaterais.




