A Opep+ decidiu manter inalteradas em outubro as cotas de produção de petróleo. A decisão foi tomada em uma videoconferência mensal por sete países, liderados por Arábia Saudita e Rússia, e segue o cronograma que prevê metas estáveis até o fim do ano, informou a Opep em comunicado.
A guerra entre Estados Unidos e Irã continua afetando a produção e as exportações de petróleo no Oriente Médio. A interrupção no Estreito de Ormuz provocou forte queda nos embarques dos países do Golfo Pérsico. Parte do fluxo foi mantida por rotas alternativas de oleodutos e operações de transporte realizadas de forma sigilosa.
Mesmo com a redução dos fluxos, a aliança continuou elevando as cotas durante o conflito. O objetivo é concluir a reversão dos cortes adotados em 2023 e, potencialmente, permitir que alguns membros aumentem a produção quando os confrontos terminarem.
A retomada das hostilidades também abalou os preços do petróleo. Na semana passada, Donald Trump ordenou novos ataques contra instalações iranianas, e a República Islâmica retaliou contra bases americanas na região.
Jorge Leon, chefe de análise geopolítica da Rystad Energy e ex-integrante do secretariado da Opep, afirmou que o grupo está ajustando volumes previstos, mas não necessariamente os barris disponíveis no mercado físico. Para ele, o impacto sobre o mercado dependerá da reabertura total do Estreito de Ormuz.
Próximos passos
A próxima reunião mensal da Opep+ será realizada em 4 de outubro. A prioridade será uma auditoria para medir quanto cada integrante consegue produzir fisicamente. O resultado servirá de base para calcular os limites de produção de cada país para 2027.
A revisão deve ser concluída até o fim deste mês e analisada pelos ministros do Petróleo quando a aliança completa se reunir, no fim de novembro. Leon disse que o debate sobre 2027 será mais relevante do que os ajustes mensais e provavelmente terá maior dificuldade e sensibilidade política.



