São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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MPSP acusa ex-dirigente da Fazenda paulista de receber R$ 4,5 milhões em propina

André Weiss teria recebido dinheiro em mochilas durante encontros em restaurantes e cafés de Pinheiros, afirma o Ministério Público de São Paulo.

Ex-número 3 da Fazenda recebia mochilas com propina em cafés chiques de SP
Foto: Reprodução/Google Maps

André Weiss, ex-chefe da Diretoria Executiva da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda de São Paulo, recebeu R$ 4,5 milhões em propina dentro de mochilas entregues em restaurantes e cafés de Pinheiros, afirmou o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele foi preso nesta quinta-feira (3/9), em uma operação contra um suposto esquema de fraudes no ICMS.

Os repasses teriam ocorrido em parcelas de R$ 250 mil. Entre os locais citados estão o restaurante Più, na rua Ferreira de Araújo, e a cafeteria Ofner, na Avenida Pedroso de Morais. As informações foram obtidas na delação premiada do auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira Prado, conhecido como PP.

Como funcionava o esquema

De acordo com o MPSP, empresas que pagavam propina tinham prioridade na fila de ressarcimento do ICMS, processo que pode levar anos. Os auditores também inflavam créditos tributários, que poderiam ser revendidos no mercado e gerar recursos para os empresários envolvidos.

A propina teria começado em abril de 2023, quando Weiss assumiu a Diretoria de Fiscalização. Em troca, ele deveria manter Paulo Prado no comando da Delegacia Tributária do Butantã. O dinheiro teria saído do escritório do advogado João André Buttini de Moraes, apontado como maior beneficiário do esquema e também preso na operação.

A Smart Tax, registrada em nome da mãe do ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, emitiu mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais que, segundo a investigação, ajudariam a dar aparência legal aos valores obtidos com propina. A Fast Shop teria recebido R$ 936,4 milhões em vantagens e deverá pagar multa de R$ 1,04 bilhão, conforme o MPSP.

Investigação e manifestações

O MPSP afirma que Weiss era líder do núcleo público do esquema e que sugeriu a compra de uma sauna para reuniões e lavagem de dinheiro. A ideia aparece em uma gravação de julho de 2023 apreendida durante a Operação Ícaro.

A ação desta quinta-feira é um desdobramento da operação deflagrada em 2025, que levou à prisão preventiva de executivos da Ultrafarma e da Fast Shop e investigou um esquema atribuído ao ex-auditor Artur Gomes da Silva Neto.

Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento disse atuar com o MPSP na apuração. A pasta informou a demissão de cinco envolvidos, uma exoneração e o afastamento sem remuneração de 17 servidores. Também afirmou que as autuações contra empresas já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.

A defesa de João André Buttini de Moraes declarou que está tomando conhecimento da investigação e que prestará esclarecimentos às autoridades após ter acesso integral aos autos.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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