São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Dívida bruta pode chegar a 89,6% do PIB em 2029, prevê governo

Projeção do Tesouro considera juros mais altos; uso do piso da meta fiscal levaria a dívida acima de 90% do PIB.

Dívida bruta pode chegar a 89,6% do PIB em 2029, prevê governo

A dívida bruta do governo geral deve alcançar 89,6% do PIB em 2029 e 89,7% do PIB em 2030, segundo as novas projeções do Tesouro Nacional. O endividamento encerraria o atual mandato de Luiz Inácio Lula da Silva em 83,7% do PIB, após uma alta de 12 pontos percentuais.

As estimativas estão nas informações complementares do PLOA de 2027, encaminhadas ao Congresso nesta sexta-feira (18). O documento reúne demonstrativos, planilhas e dados de apoio ao projeto de orçamento.

Cenário com o piso da meta

A trajetória pode ser pior caso o governo registre resultados recorrentes no limite inferior da meta fiscal. Nesse cenário, a DBGG cruzaria 90% do PIB em 2029 e chegaria a 91,1% do PIB em 2031.

Para o próximo ano, a meta fiscal é de superávit de 0,5% do PIB. Após o abatimento de exceções autorizadas pela legislação, o objetivo cai para 0,06% do PIB. A margem de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou para menos permite, na prática, um déficit de até 0,19% do PIB.

O PLOA de 2027 prevê superávit de R$ 18,6 bilhões, já descontadas as exceções. O uso da banda de tolerância permitiria um déficit de até R$ 18 bilhões.

O cenário atualizado é mais desfavorável que o apresentado pelo Tesouro no fim de junho, quando a previsão era de pico de 87,9% do PIB para a DBGG em 2029. O Tribunal de Contas da União considerou inadequado apresentar apenas projeções baseadas no centro da meta, porque a equipe econômica utilizou a margem de tolerância em todos os anos desde a criação do arcabouço fiscal.

Juros e política fiscal

O Ministério da Fazenda atribuiu a revisão à incorporação de taxas de juros mais altas nas projeções. “Não houve alteração relevante nas hipóteses fiscais”, afirmou a pasta, acrescentando que a mudança não decorre de aumento das despesas primárias nem de flexibilização do compromisso fiscal.

A equipe econômica também relaciona a alta recente da dívida à regularização de despesas represadas no governo Jair Bolsonaro, incluindo precatórios, e ao aumento da Selic, que afeta a remuneração de metade dos títulos emitidos pelo Tesouro.

Dario Durigan, da Fazenda, e Bruno Moretti, do Planejamento e Orçamento, declararam que o governo pretende buscar superávit efetivo a partir do próximo ano. A administração avalia instrumentos para ampliar a possibilidade de congelar recursos diante de uma frustração de receitas, além de uma nova interpretação jurídica, consulta ao TCU ou aprovação de uma PEC após as eleições.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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