JOINVILLE — Adimir Telles começou a vida profissional na construção civil, enfrentou períodos em que recebia por sacos de arroz, dúzias de ovos e caixas de poncã e depois abriu duas sorveterias em Joinville. Hoje, a operação reúne a esposa, as três filhas, um genro e outros trabalhadores.
Natural do Paraná, Telles deixou os estudos na quinta série e se casou por volta dos 18 anos. Pai de três filhas, trabalhou como auxiliar de pintor, servente e ajudante de pedreiro. A baixa idade e a falta de formação dificultavam o acesso a empregos melhores.
Mais tarde, voltou a estudar durante a noite enquanto trabalhava. A decisão foi criticada por parentes, mas ele continuou. Por volta de 2004, mudou-se com a família para Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, onde passou a atuar como caseiro em uma igreja.
Trabalho em troca de alimentos
Sem conseguir oportunidades suficientes na construção civil, Telles percorreu as ruas de Colombo oferecendo seus serviços. Quando não recebia dinheiro, aceitava alimentos como pagamento. Um pacote de arroz de cinco quilos, segundo ele, alimentava a família por praticamente 15 dias.
“Eu acreditava em mim mesmo”, afirma Telles ao recordar a própria trajetória. Um trabalho indicado por outro pedreiro, em Curitiba, mudou sua situação. O casal que o contratou percebeu o cuidado demonstrado antes mesmo do início da obra e passou a indicá-lo a novos clientes.
Telles buscou palestras, eventos e capacitações e se especializou na instalação de revestimentos. Com o irmão, passou a atender obras de clientes de maior poder aquisitivo e clínicas odontológicas na região de Curitiba.
A renda aumentou, mas o empresário percebeu que não conseguia guardar dinheiro. Com as filhas chegando à adolescência, decidiu buscar uma segunda fonte de renda e entrou no ramo de sorvetes.
Expansão em Joinville
Em 2010, abriu uma sorveteria em Colombo, mas o negócio fechou depois de não alcançar o resultado esperado. A oportunidade em Joinville surgiu quando uma irmã, que morava no bairro Vila Nova, começou a vender sorvetes em uma pequena estrutura instalada na casa alugada.
As vendas cresceram e Telles chegou a fornecer quase 5 mil picolés para a unidade. Em 2014, comprou um imóvel em Joinville e iniciou reformas e ampliações. Em 2016, a Sorveteria Telles, no Paranaguamirim, ganhou força, contratou funcionários e ampliou a estrutura.
Ele continuou trabalhando como pedreiro até deixar definitivamente a construção civil cerca de quatro anos atrás. As filhas passaram a comandar a maior parte da gestão, e a família abriu uma segunda unidade. Um projeto de terceira operação em Garuva foi alterado; o imóvel deverá receber uma casa de eventos.
Atualmente, cerca de dez pessoas trabalham diretamente na operação, com aumento durante o verão. Além dos funcionários, participam do negócio Telles, a esposa, as três filhas e um dos genros.
Telles também concluiu a educação básica já adulto, cursou Educação Social e estudou Teologia. Incentivado pelas filhas e por amigos, lançou dois livros sobre comportamento financeiro. O mais recente é “Porque Não Tenho Acesso Ao Meu Dinheiro”.



