A responsabilidade por conduzir mudanças nas políticas ambientais deve ser principalmente do governo federal, segundo a pesquisa “Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros”, realizada pela Ipsos a pedido do Observatório do Clima. O levantamento ouviu 1.800 pessoas de todo o país, com 18 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de agosto.
A avaliação sobre os diferentes atores é majoritariamente negativa. Para 78% dos entrevistados, o papel das pessoas em geral nas políticas ambientais é negativo, enquanto 6% fizeram avaliações positivas. Entre as empresas privadas, 75% deram avaliações negativas e 6%, positivas. O governo brasileiro recebeu 71% de avaliações negativas e 9% de positivas.
Apoio a regras e políticas ambientais
Quatro em cada cinco entrevistados defendem uma posição de proteção ou cautela ambiental. Entre as políticas avaliadas, 43% rejeitam a flexibilização das normas e consideram que os investimentos devem seguir a regulamentação vigente.
A proteção ambiental também aparece como prioridade para o poder público: 90% consideram muito importante que o governo e as políticas públicas se dediquem ao tema. Apenas 3% avaliam essa dedicação como pouco ou nada importante.
Para 67%, empresas e indústrias têm mais responsabilidade do que os cidadãos no enfrentamento das mudanças climáticas. As causas do fenômeno são atribuídas principalmente à atividade humana por 58% dos entrevistados. Outros 36% apontam uma combinação entre atividade humana e fenômenos naturais, enquanto 5% citam principalmente causas naturais.
Percepção sobre o clima
Os dados divulgados nesta quinta-feira (17) mostram que 87% concordam que as mudanças climáticas provocam secas, chuvas intensas e ondas de calor. O impacto no cotidiano dos brasileiros é reconhecido por 85%, e 79% defendem que o tema seja priorizado mesmo com custos econômicos. Para 76%, ainda é possível evitar os impactos mais graves se medidas forem adotadas imediatamente.
Mudanças climáticas e crise ambiental são consideradas importantes por 91% dos entrevistados, que também defendem propostas dos candidatos às eleições de 2026 para enfrentar o problema. Para 62%, o tema é muito importante.
Na lista de preocupações apresentadas aos participantes, porém, segurança pública e criminalidade lideram, com 49%. O aumento do custo de vida ou a inflação aparece com 41%; a violência contra as mulheres e os feminicídios, com 36%; e a qualidade da saúde pública, com 34%. As mudanças climáticas e a crise ambiental ficam em nono lugar, com 19%.
Entre os problemas ambientais, as mudanças climáticas são citadas por 35% como o principal. Gestão de resíduos e lixo aparece com 21%, seguida por qualidade do ar e poluição, com 15%, e escassez de água e secas, com 14%.
Metano e avaliação dos candidatos
O estudo também mediu o conhecimento sobre o papel do gás metano no aquecimento global. Embora seja mais potente que o CO2, sua atuação e suas principais fontes são pouco conhecidas. Para 64%, as principais fontes são aterros sanitários, lixões e a queima de combustíveis fósseis. No Brasil, o gás é emitido principalmente na pecuária.
Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, afirmou que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática. Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas da organização, disse que a preocupação precisa se refletir em votos que elejam candidatos comprometidos com o tema.
O questionário foi aplicado online e teve 32 perguntas sobre clima, meio ambiente, agenda pública e governamental, além de cuidados, atitudes e comportamentos relacionados a esses temas.




