SANTA CATARINA — A Polícia Rodoviária Federal apreendeu 1.174 unidades de ampolas, frascos ou seringas de medicamentos usados no tratamento da obesidade em rodovias catarinenses. As apreensões ocorreram em 15 ocorrências entre janeiro e agosto de 2026.
A BR-101 concentrou nove apreensões, ou 60% do total. Em Joinville e Itajaí, foram encontradas 821 ampolas de Tirzepatida, princípio ativo comercializado no Brasil como Mounjaro e indicado para adultos com diabetes mellitus tipo 2 e para obesidade, associado a dieta e atividade física. Também foram apreendidas unidades de Lipoless, fabricado no Paraguai, e seringas de Semaglix.
Segundo a PRF, as cargas tinham origem em Ciudad del Este. Parte seguia para Joinville, Itajaí, Balneário Camboriú e Florianópolis; outra era transportada em direção a Porto Alegre. Os medicamentos também abasteciam sites e farmácias clandestinas de venda online.
Além da BR-101, houve apreensões na BR-470, em Ponte Alta; na BR-163, em Guaraciaba; na BR-280, em Canoinhas; na BR-480, em Chapecó; e na BR-282, em Maravilha. Janeiro foi o mês com mais registros, com seis cargas encontradas.
Anvisa questiona equivalência
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária afirmou, em julho, que não há comprovação de que canetas contrabandeadas do Paraguai tenham a mesma eficácia dos produtos registrados no Brasil. Para confirmar a equivalência, são necessários testes sobre concentração, absorção, circulação e eliminação do produto, realizados por centro de bioequivalência credenciado.
Testes do Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp identificaram tirzepatida nos frascos, mas não avaliaram impurezas, contaminantes, degradação, esterilidade ou metais pesados. A Anvisa informou que o CIATox não é um centro de bioequivalência credenciado no Brasil.
O especialista Alex Rafacho afirmou que produtos comprados fora dos canais regulares podem apresentar diferenças na quantidade do princípio ativo, impurezas e falhas de esterilidade. Um posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Diabetes, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica relatou variações na concentração de tirzepatida em produtos do Paraguai. Em uma amostra, a concentração ficou aproximadamente 60% acima da indicada no rótulo.
Segundo Rafacho, calor excessivo, congelamento e transporte inadequado podem comprometer os medicamentos. Os riscos incluem redução do efeito esperado, náuseas, vômitos, efeitos de dose excessiva e infecções em caso de falha de esterilidade. A recomendação é usar semaglutida, tirzepatida e medicamentos semelhantes com prescrição e acompanhamento médico, adquiridos em farmácias regularizadas e com registro na Anvisa.



