BRASÍLIA — A Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) emitiram alertas sobre uma possível operação psicológica associada à suspensão do atendimento presencial na Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e nos consulados instalados no Brasil. A medida foi determinada pelo governo Donald Trump nesta sexta-feira (02/10), sob a justificativa de “questões de segurança”.
Os informes foram encaminhados ao Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), a ministérios e a representantes do Itamaraty. O material aponta a hipótese de uma ação coordenada a partir da Casa Branca para manter um ambiente de tensão até domingo (04/10), data do primeiro turno das eleições presidenciais.
Uma fonte da PF envolvida na produção dos informes afirmou que a estratégia buscaria gerar medo entre os eleitores, estimular votos em um candidato ou aumentar a abstenção. A operação é tratada internamente como Operação Brother Sam II e incluiria o uso de redes sociais comandadas pelas big techs, dentro de uma chamada “guerra híbrida”.
Suspeita de articulação política
Os sistemas de inteligência também avaliam a possibilidade de que a decisão dos Estados Unidos tenha ocorrido após interlocução com representantes da campanha de Flávio Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do candidato, é citado como um dos principais interlocutores com acesso ao Departamento de Estado, em Washington.
A avaliação registrada nos informes é que a campanha poderia explorar a suspensão das atividades diplomáticas para ampliar a percepção de insegurança. Um representante do Itamaraty confirmou ter recebido informações sobre o alerta.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos é comandado por Marco Rubio. Segundo os informes, a operação psicológica se apoiaria em credibilidade, oportunidade, progressividade e unidade de comando. O documento afirma que as ações deveriam ser baseadas em fatos, executadas no momento adequado, escalonadas no tempo e dirigidas de forma centralizada.
A PF monitora uma possível interferência dos Estados Unidos há meses. Na quinta-feira (01/10), também chamou atenção a informação de que Donald Trump teria destinado US$ 1 milhão a um grupo de brasileiros para atacar o Supremo Tribunal Federal (STF). O valor seria parte de um pacote de 176,9 milhões de dólares do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
O programa destinado ao Brasil é identificado como “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, traduzido no informe como “Combatendo a guerra jurídica e a censura no Brasil”.




