São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Como o crucifixo dado a Lula virou alvo de investigação da Lava Jato

Escultura do século 16 foi presente pessoal ao ex-presidente, mas acabou tratada como patrimônio do Palácio do Planalto.

Como o crucifixo dado a Lula virou alvo de investigação da Lava Jato

Uma escultura de Cristo crucificado, feita em madeira por um artista europeu do século 16, foi retirada do gabinete presidencial do Palácio do Planalto quando Lula deixou a Presidência, em janeiro de 2011. A peça, porém, fazia parte dos presentes pessoais recebidos pelo ex-presidente e não do acervo do palácio.

O crucifixo havia pertencido a Mauro Morelli, bispo da Diocese de Duque de Caxias, que o colocou à venda em 2002. José Alberto de Camargo, presidente da CBMM e conselheiro do Instituto da Cidadania, comprou a obra e, por sugestão de Frei Betto, presenteou Lula. Frei Betto abençoou a peça e convenceu o então presidente a instalá-la no gabinete.

A escultura permaneceu no local durante oito anos e apareceu em dezenas de fotografias oficiais. Depois da mudança de governo, surgiram boatos de que Dilma Rousseff teria ordenado a retirada do crucifixo e de uma Bíblia por ser ateia. Também passou a circular a alegação de que a peça pertencia ao Palácio do Planalto e havia sido levada por Lula.

A origem do boato

Em 26 de fevereiro de 2011, a revista Época publicou uma matéria explicando que o crucifixo não integrava o acervo palaciano e pertencia ao ex-presidente. Mesmo assim, a campanha “Devolve, Lula” continuou. Uma fotografia de Itamar Franco no Palácio do Planalto foi usada para sustentar que a escultura estaria no prédio desde o governo Itamar Franco, nos anos 1990.

A imagem era verdadeira, mas havia sido registrada em 2006, durante uma visita de Itamar ao palácio, já no fim do primeiro mandato de Lula. Em março de 2016, a revista Veja voltou ao tema e apresentou a peça como uma obra de Aleijadinho, embora a escultura fosse atribuída a um artista europeu anônimo do século 16. No mesmo mês, a revista Época publicou que o crucifixo havia “desaparecido de uma hora para outra” do gabinete.

A Polícia Federal e o procurador Deltan Dallagnol passaram a investigar o paradeiro da obra. Durante a operação Aletheia, agentes foram ao apartamento de Lula. Documentos encontrados no local indicavam que o acervo pessoal do ex-presidente estava guardado em um cofre do Banco do Brasil.

Em março de 2016, a Polícia Federal informou ter localizado 23 caixas com presentes de Lula, incluindo o crucifixo. A descoberta foi apresentada como evidência de que a peça pertenceria ao Estado brasileiro. Reinaldo Azevedo acusou Lula de ter “passado a mão” em um crucifixo do século 16.

Cinco dias depois, o procurador Januário Paludo informou a Dallagnol que a investigação havia se baseado em uma informação falsa disseminada pelo WhatsApp. Diálogos publicados pelo The Intercept mostraram a reação de Dallagnol à localização da peça.

Após a checagem da Lei 8.934, que trata dos bens de ex-presidentes da República, os procuradores concluíram que Lula não havia cometido irregularidade relacionada ao crucifixo. Ainda assim, as acusações continuaram circulando na internet.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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