Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, assinou nesta quarta-feira (09/09) um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). No depoimento, descreveu operações financeiras relacionadas ao financiamento de Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro.
Freixo é dono da Entre Investimentos e aparece nas investigações como operador financeiro de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Ele afirmou que o fundo Havengate recebeu sete transferências ao longo de 2025. Os valores chegaram a US$ 12,3 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 69 milhões pela cotação da época, e teriam sido enviados por determinação de Vorcaro.
O Havengate, administrado pelo advogado Paulo Calixto, foi usado para financiar o filme. Calixto é apontado como próximo de Eduardo Bolsonaro. Antes da colaboração, já havia informação de que o Grupo Entre havia transferido pelo menos R$ 10 milhões ao fundo.
A movimentação entrou no radar das autoridades durante as tratativas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para viabilizar o financiamento de Dark Horse. Polícia Federal (PF) e PGR tentam reconstituir o caminho percorrido pelos recursos.
Uma das linhas de apuração considera se parte do dinheiro foi usada em despesas relacionadas a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, além dos custos da produção. A destinação definitiva dos valores ainda não foi estabelecida.
Trajetória empresarial
Formado em Administração de Empresas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Freixo disse ter iniciado a carreira aos 14 anos, como office-boy do Banco Nacional em Santa Rita do Sapucaí (MG). Conforme seu perfil no LinkedIn, em 1983 ele atuou como operador de crédito rural na instituição.
Depois, foi vice-presidente do Banco Garantia e exerceu funções de liderança no Credit Suisse. Em 2016, criou o Grupo Entre; em 2022, fundou a Entrepay, empresa voltada a meios de pagamento. Também tem participação na IstoÉ Publicações, na Leads Securitizadora, na Linked Gourmet, na Pmovil e na Wealth Money.
A ligação com o caso Master já havia surgido antes do acordo. Em janeiro, Freixo foi alvo de busca e apreensão da PF na segunda fase da Operação Compliance Zero, que também alcançou endereços associados a Vorcaro e outros empresários.
Em março, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial da Entrepay por irregularidades e risco aos credores. O comunicado ordenou ainda a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores, incluindo Freixo Júnior.




