Parlamentares e candidatos republicanos passaram a defender o encerramento da guerra contra o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. A pressão ocorre em meio à alta dos combustíveis e à rejeição de parte do eleitorado à continuidade das operações militares.
Um levantamento divulgado pela ABC News identificou ao menos 17 republicanos favoráveis ao fim do conflito. O grupo reúne congressistas que buscam a reeleição e candidatos ao Senado e a governos estaduais. As manifestações ocorreram em declarações públicas, campanhas e votações destinadas a limitar os poderes de guerra do presidente Donald Trump.
Mudança entre parlamentares
Em 15 de setembro, os deputados Zach Nunn e Mariannette Miller-Meeks, representantes de Iowa, apoiaram uma resolução para restringir a capacidade de Trump de manter as operações militares sem autorização do Congresso. Os dois haviam votado contra medidas semelhantes anteriormente.
Nunn disse que a continuidade dos combates exigia uma decisão formal do Legislativo. Miller-Meeks defendeu que o presidente apresentasse um plano para encerrar o conflito e afirmou que os norte-americanos não queriam outra guerra sem fim. A deputada também relacionou a permanência das tropas ao aumento dos gastos com combustíveis em Iowa.
A maioria dos republicanos na Câmara dos Representantes, porém, rejeitou a resolução. O deputado Tom Barrett, do Michigan, relatou ter ouvido questionamentos crescentes no partido sobre a expansão das operações sem autorização do Congresso.
Pressão nas campanhas
Entre os candidatos, Mike Rogers, que disputa uma vaga no Senado por Michigan, passou a defender o fim rápido do conflito. Em Iowa, Ashley Hinson também se manifestou pela conclusão da guerra. Em Wisconsin, Tom Tiffany, candidato republicano ao governo estadual, disse que era hora de encerrar a participação norte-americana.
No Senado, John Husted, de Ohio, defendeu uma conclusão rápida para reduzir os preços da gasolina, embora tenha votado contra a resolução que restringia os poderes de guerra de Trump.
O presidente da Câmara, Mike Johnson, aliado de Trump, reconheceu que seria útil resolver a questão antes da votação de 3 de novembro. Trump, por sua vez, afirmou em setembro que a guerra terminaria muito pouco tempo depois da eleição.
Combustíveis e aprovação
A alta da energia tornou-se um dos principais fatores da pressão republicana. O diesel subiu quase 60% desde o início do conflito, no fim de fevereiro, segundo a ABC News. O aumento afeta o setor agrícola, o transporte de mercadorias e os preços de outros produtos.
Pesquisa Reuters/Ipsos apontou aprovação de 34% para os ataques contra o Irã e aprovação geral de 32% para Trump. Os democratas tinham vantagem de oito pontos percentuais sobre os republicanos na preferência dos eleitores registrados: 43% a 35%.
O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, afirmou que seu partido havia aprovado três resoluções sobre poderes de guerra para encerrar as operações no Irã.



