São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Suplentes assumiram 34 das 81 cadeiras atuais do Senado

Levantamento identifica ao menos quinze chapas com parentes entre os suplentes mais bem posicionados nas pesquisas para outubro.

Suplentes assumiram 34 das 81 cadeiras atuais do Senado

Dos 81 senadores em exercício, 34 já deram lugar a seus suplentes — 42% do total. A possibilidade de assumir o mandato ajuda a explicar a relevância das escolhas feitas nas chapas que disputam as 54 vagas do Senado previstas para outubro.

Levantamento identifica ao menos quinze chapas que aparecem nas duas primeiras posições das pesquisas com familiares entre os suplentes. A relação reúne esposas, filhos, irmãos, um pai e uma tia.

No Pará, Helder Barbalho (MDB) escolheu o pai, Jader Barbalho (MDB), para a suplência. Aos 81 anos, o senador está no terceiro mandato e abriu espaço para o filho na disputa. No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) terá o irmão Diego Torres Dourado (PL) como primeiro suplente. Ex-militar da Aeronáutica, ele não ocupou cargo eletivo e desistiu de concorrer a deputado federal em 2022. Também no DF, Bia Kicis (PL) indicou o filho Samuel Kicis, engenheiro que nunca disputou uma eleição.

Repetição de alianças familiares

A escolha de parentes se repete em algumas trajetórias. Ciro Nogueira (PP-PI) substituiu a mãe, Eliane Nogueira (PP), pelo irmão Raimundo Nogueira. Eliane assumiu o cargo em diferentes ocasiões, inclusive entre 2021 e 2022, quando Ciro foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro. Raimundo nunca exerceu atividade política e foi alvo, em maio, da Operação Compliance Zero, que investiga o escândalo do Master. Ele usou tornozeleira por quase um mês.

Eduardo Braga (MDB-AM) repetirá em 2026 a chapa com a esposa, Sandra Braga, vencedora em 2018. Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que não precisa renovar o mandato neste ano, foi eleito em 2014 e 2022 com o irmão Josiel como suplente.

Regras em debate

O Senado foi criado em 1824, no império, sem a figura do suplente. Até 1946, a saída de um senador exigia eleição suplementar. A Constituição daquele ano criou o primeiro suplente, e o número passou para dois em 1977.

Em 2001, a Casa rejeitou uma proposta de Marina Silva após Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho renunciarem em favor de ACM Júnior e Laércio Barbalho. Em 2013, um projeto de Sibá Machado (PT-AC) para reduzir o número de suplentes e impedir a indicação de parentes foi aprovado no Senado, mas está parado na Câmara desde 2021.

Também tramita no Senado um projeto de Fabiano Contarato (PT-ES) que torna inelegíveis cônjuge, companheiro e parentes em linha reta até o terceiro grau. A proposta aguarda relator desde 2023. Para Francisco Nascimento, pesquisador da UnB em direito constitucional comparado, o mandato público não deveria ter aparência de patrimônio familiar.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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