São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Territórios latino-americanos enfrentam extremos de seca, inundação e perda cultural

Relatos na COP17 mostram como a crise da terra afeta água, produção, culturas e decisões sobre o futuro das comunidades.

Territórios latino-americanos enfrentam extremos de seca, inundação e perda cultural

A COP17 terminou com mecanismos de financiamento, debates sobre uma arquitetura global de resiliência à seca e maior participação formal de povos indígenas e comunidades. Para representantes latino-americanos, porém, ainda há distância entre essas decisões e a rotina de quem depende diretamente da terra.

Na região, cerca de 28% dos territórios são classificados como terras degradadas, acima da média global, estimada entre 15% a 16%, segundo a convenção das Nações Unidas especializada no combate à desertificação (UNCCD, na sigla em inglês). Os efeitos aparecem em situações distintas: falta de água em El Salvador, inundações no Chaco argentino e ameaça a práticas culturais na Amazônia peruana.

Produção sob pressão

Em Chalatenango, El Salvador, Xenia López acompanha 16 comunidades rurais e semiurbanas. A área faz parte do Corredor Seco Centro-Americano, que vai do sul do México ao oeste do Panamá e sofre com a irregularidade das chuvas.

A maior parte das comunidades depende da agricultura. Segundo Xenia, períodos prolongados de estiagem e calor intenso prejudicam o abastecimento necessário para o plantio. O trabalho desenvolvido por ela inclui práticas agroecológicas, com foco no uso mais eficiente da água e na recuperação de solos empobrecidos pelo uso intensivo de produtos químicos.

“Quando deveria chover e abastecer a agricultura, simplesmente fica seco”, contou.

A líder defende mais apoio de autoridades e organismos internacionais. Ela também afirma que governos de El Salvador e Nicarágua restringem espaços para reivindicações por medidas estruturais. Durante a conferência, representantes latino-americanos disseram que encontros como a COP17 ajudam a formar redes e ampliar a visibilidade das demandas populares.

O extremo oposto no Chaco

Na região do Rio Salado Norte, na Argentina, as comunidades passaram de um cenário historicamente marcado pela seca a inundações inéditas neste ano. Antonella Sleiman afirma que não se via uma situação nessa escala havia cerca de 50 anos.

As famílias cultivam milho, abóbora e outros alimentos para consumo próprio e para o comércio local. Também criam cabras, ovelhas, vacas e porcos. A água destruiu parte das plantações e da vegetação que servia de alimento aos animais. Algumas comunidades precisaram comprar comida para as famílias e os rebanhos em localidades distantes.

Professora de escolas rurais e promotora territorial da Fundação para o Desenvolvimento em Justiça e Paz (Fundapaz), Antonella participa da Mesa de Tierra del Salado Norte. O grupo reúne representantes de oito organizações camponesas e indígenas em uma área de cerca de 80 quilômetros e discute, mensalmente, questões de terra, água, produção, agricultura e juventude.

Água, floresta e conhecimento

Na Amazônia peruana, o indígena shipibo-konibo Gilmer Yuimachi relata que a redução dos níveis de rios, lagos e igarapés afeta o consumo, a pesca, a agricultura e a criação de animais. A mudança nas chuvas também prejudica cultivos como mandioca, milho, feijão e arroz.

Para ele, os impactos não se limitam à produção. “Significam colocar em risco nossa alimentação, nossas florestas, nossos peixes, nossas plantas medicinais e também nossos conhecimentos e nossa cultura”, afirmou.

Yuimachi atua pela Associação Intercultural Bari Wesna junto a comunidades de Ucayali e de outras áreas amazônicas. Ele também defende que os povos indígenas sejam reconhecidos como guardiões dos territórios e como detentores de conhecimentos capazes de contribuir para a restauração das florestas, a adaptação às mudanças climáticas e a recuperação de terras degradadas.

Participação dos jovens

A brasileira Thaiane Maciel, 33 anos, participou da COP17 pela coalizão de juventude da convenção. Engenheira ambiental e fundadora do Instituto Ecocria, organização voltada à educação ambiental no Rio de Janeiro, ela moderou debates e atuou em uma iniciativa de comunicação sobre a presença de jovens nas negociações.

Thaiane defende que as políticas para a terra considerem água, sistemas alimentares e migrações climáticas. Também critica a visão de que a juventude apenas precisa aprender, sem reconhecimento de sua capacidade técnica e de atuação nos territórios.

Após o encerramento da conferência, ela espera que os compromissos avancem para ações e parcerias voltadas às comunidades diretamente afetadas pela degradação dos solos e pela seca.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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