A Polícia Federal apreendeu ao menos R$ 30 milhões em ações relacionadas a suspeitas de crimes eleitorais desde janeiro deste ano. Desse montante, R$ 19 milhões foram encontrados em espécie com candidatos ou intermediários. Outros R$ 11 milhões correspondem ao valor estimado de veículos, imóveis e celulares apreendidos.
O total é três vezes superior aos R$ 10 milhões apreendidos durante todo o ano eleitoral de 2022, mas fica abaixo dos R$ 63 milhões registrados em 2024, quando houve eleição municipal. A apreensão, isoladamente, não caracteriza crime eleitoral. A PF investiga se há indícios adicionais de compra de votos ou caixa dois.
Estados e campanhas sob investigação
Roraima registrou a maior apreensão do ano. Em 4 de setembro, policiais encontraram R$ 4 milhões em notas durante a abordagem de um empresário e um policial militar. A PF apura se o dinheiro tinha relação com a campanha da deputada federal Helena da Asatur (PSD-RR) ao Senado. Pela assessoria, ela afirmou que “não tem conhecimento de nenhuma operação da Polícia Federal ou investigações sobre seu trabalho e conduta política em mandato”.
Também em Roraima, nesta sexta-feira (25), o candidato a deputado federal Daniel Trindade (PL) foi preso sob suspeita de crime eleitoral. A ação ocorreu durante a Operação Cunhambebe, que investiga cursos clandestinos de segurança privada e possível formação de grupo organizado para dificultar a atuação de órgãos públicos na Terra Indígena Raposa Serra do Sol.
Tocantins, com R$ 4,4 milhões, e Pará, com R$ 3,29 milhões, aparecem na sequência. No Pará, a PF investiga possível repasse à campanha de Adriano Coelho (MDB-PA). Em uma ação, foram apreendidos R$ 2,5 milhões em espécie, junto de comprovantes bancários e autorizações de transferências vinculadas à campanha.
Em julho, cerca de R$ 900 mil foram apreendidos em Palmas com o deputado estadual Nilton Franco (União Brasil), candidato à reeleição. Ele declarou que o dinheiro seria usado em negócios com gado e teria origem em financiamento bancário. “Tem alguma lei que proíbe sacar dinheiro?”, afirmou.
Inquéritos e monitoramento financeiro
Até setembro deste ano, a PF instaurou 1.194 inquéritos sobre crimes eleitorais. O Rio de Janeiro lidera, com 137 procedimentos, seguido por Maranhão, com 121; Ceará, com 118; São Paulo, com 83; e Paraná, com 64.
Segundo investigadores, o dinheiro em espécie continua sendo o principal meio usado em esquemas de compra de votos. A PF monitora saques fracionados e retiradas superiores a R$ 50 mil. Também analisa a proximidade do saque com a eleição, listas de eleitores ou locais de distribuição, o perfil de quem transporta os valores e vínculos com candidatos ou campanhas.




