SALVADOR — Conversas encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Monteiro, advogado do Banco Master, mencionam a negociação de um apartamento de luxo para a filha do senador Jaques Wagner (PT-BA). Segundo o relatório, Monteiro usou uma referência codificada ao tratar do valor do imóvel com Guilherme Sodré, apontado como homem de confiança do parlamentar.
O apartamento fica no residencial Poème Horto, em Salvador (BA), e foi avaliado em R$ 2,45 milhões. Wagner teria pedido a Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, que comprasse o imóvel para presentear sua filha.
Conversas sobre o imóvel
Em 18 de dezembro de 2025, Monteiro escreveu a Sodré pelo WhatsApp que “a altura do vão é 2,45m”. A PF avaliou que a mensagem sugere o uso de linguagem cifrada para dificultar a compreensão do conteúdo efetivo.
Em 26 de novembro de 2024, Wagner encaminhou a Lima o contato de um gerente da construtora Moura Dubeux, responsável pelo empreendimento. Na mesma comunicação, enviou informações sobre o apartamento.
Em junho deste ano, Wagner admitiu que tratou da compra. Disse que queria ajudar a filha a adquirir um imóvel do tipo e que Lima poderia comprá-lo inicialmente, com uma recompra posterior. O senador afirmou que precisaria vender o apartamento da filha ou recorrer a financiamento para complementar a aquisição.
Vinhos e lista de destinatários
Ainda na Bahia, Augusto Lima, conhecido como “Guga Lima”, enviou vinhos com valores entre R$ 2,5 mil e R$ 5,3 mil a Wagner e Guilherme Sodré, chamado de “Guiga”.
Em outra conversa, Vorcaro orientou Fernando Mascarenhas, diretor comercial do Banco Master, a enviar algo para Lula e a base aliada. Mascarenhas respondeu que mandaria para “tio Guiga e Jaques”.
Uma lista preparada em dezembro de 2024 para o envio de lembranças de final de ano incluía Bruno Reis, prefeito de Salvador; Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil; ACM Neto, ex-prefeito de Salvador; Antônio Rueda, presidente do União Brasil; Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia; além de Wagner.
Os documentos foram tornados públicos na quinta-feira (10), por decisão do Supremo Tribunal Federal. A medida foi determinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e atendida pelo relator André Mendonça. Na sexta (11), Flávio Bolsonaro pediu o fim da confidencialidade sobre o material envolvendo o “Dark Horse”.



