São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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PF aponta acesso irregular a dados sigilosos do MPF ligado a Vorcaro

Relatório enviado ao STF descreve consultas em sistemas do MPF, documentos sobre um helicóptero e buscas por dados de BRB e Master.

PF aponta acesso irregular a dados sigilosos do MPF ligado a Vorcaro

Um grupo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro acessou informações de processos sigilosos do Ministério Público Federal (MPF) por meio de consultas registradas nos logins funcionais de servidores, segundo relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

As mensagens reproduzidas no documento mostram Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado como Felipe Mourão e conhecido como Sicário, encaminhando a Vorcaro resultados de consultas em sistemas internos do MPF. Segundo a investigação, Mourão integrava A Turma, grupo apontado como uma milícia usada para monitorar e intimidar pessoas consideradas adversárias ou ligadas a apurações sobre o banco.

A PF afirma que Mourão recebia R$ 1 milhão por mês por atividades que incluíam acesso a informações sigilosas, coação e fabricação de dossiês. Ele morreu na Superintendência da PF de Minas Gerais após se enforcar na cela em 4 de março, logo depois de ser preso durante uma operação. A morte foi confirmada dois dias depois.

Em junho de 2024, Mourão enviou a Vorcaro uma lista de pessoas e empresas e disse que outros nomes poderiam ser acrescentados “pra puxar os sigilosos”. Em outra conversa, perguntou quais documentos o então banqueiro queria receber. Vorcaro respondeu: “Todos, obviamente”. No dia seguinte, Mourão afirmou ter “acesso total e ilimitado” aos sistemas do MPF, mas disse não saber até quando as consultas ficariam disponíveis.

Uma busca realizada em 23 de julho de 2024 com o CPF de Vorcaro encontrou 15 procedimentos relacionados a ele, sendo 11 sigilosos. O registro estava associado ao login funcional de outro servidor. Parte dos documentos também foi vinculada à conta de uma servidora, usada repetidamente para consultas a processos.

Os investigadores ainda tentam esclarecer se os próprios servidores fizeram as consultas, se cederam as credenciais ou se os acessos ocorreram sem conhecimento dos titulares. O relatório não atribui participação consciente aos servidores.

Em julho de 2025, Mourão teria compartilhado uma consulta com os termos “BRB AND MASTER”. Vorcaro respondeu: “Quero tudo. Atenção total”. Mourão afirmou que mandaria buscar todas as informações.

Consulta sobre helicóptero

Em janeiro de 2025, Vorcaro enviou a Mourão uma imagem de um helicóptero que teria sobrevoado sua casa na Bahia por 40 minutos na sexta-feira anterior, 10 de janeiro. Mourão disse que seria necessário identificar o contratante e os passageiros.

No dia 13, encaminhou um documento com brasão e identificação do MPF, classificado como “URGENTE/SIGILOSO” e dirigido a uma empresa de serviços aéreos. O ofício pedia dados do contratante, itinerários, horários de decolagem e pouso e a lista de passageiros, além de solicitar que o contratante não fosse avisado.

O documento não tinha assinatura digital nem manuscrita. Em 16 de janeiro, Mourão enviou a Vorcaro uma resposta atribuída à empresa, que citava o ofício e informava o recebimento no dia 14. A empresa descreveu um voo para verificar equipamentos, sem passageiros, e informou dados de outro voo.

Para a PF, a resposta indica que o ofício foi enviado. As páginas analisadas, porém, não confirmam a autenticidade da requisição pelo MPF nem mostram autorização expressa de Vorcaro para o encaminhamento.

Na conclusão, a PF afirma que o grupo acessava de forma recorrente e irregular procedimentos sigilosos no MPF e em outros órgãos, usando logins funcionais de terceiros, extração de documentos e consultas não autorizadas. O ministro André Mendonça determinou a publicação dos documentos a pedido de Edson Fachin, presidente do STF, e retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do principal.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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