SÃO PAULO — A Polícia Federal identificou duas edições atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua família. As alterações ocorreram antes do envio inicial da minuta ao banqueiro Daniel Vorcaro e depois que ele devolveu o documento com revisões.
O contrato previa sigilo integral e pagamentos mensais de pró-labore de R$ 3.646 529,77 brutos. O escritório Barci de Moraes confirmou que o ministro acessou e editou o documento. Segundo a banca, o setor de compliance solicitou informações sobre possíveis impedimentos legais à contratação pelo Banco Master do escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
A primeira alteração aparece nos metadados da minuta, identificada como “MINUTA DE CONTRATO”. O arquivo tinha como autor um usuário chamado “GUILHERME BENAZZI”, administrador do escritório, e registrou uma modificação feita pelo perfil “Ministro Alexandre de Moraes” às 16h30 de 11 de janeiro de 2024. A mudança ocorreu 53 minutos antes de Viviane enviar o documento a Vorcaro, às 17h23, pelo celular.
Em 15 de janeiro de 2024, às 21h22, Vorcaro devolveu a minuta a Viviane pelo WhatsApp com marcas de revisão. Ele informou que havia incluído apenas a cláusula I.3 e pediu a confirmação da alteração. Depois disso, o documento foi novamente aberto e modificado em um sistema Office 365 associado ao ministro.
A segunda edição atribuída a Moraes foi registrada às 23h04 daquele dia, cerca de 1 hora e 40 minutos após o envio da versão revisada pelo banqueiro. Os registros técnicos reúnem dados de autoria, datas, horários e histórico de modificações dos arquivos.
As edições e as 51 mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro serão consideradas na sessão do STF da próxima terça-feira, 15. O plenário avaliará se abre investigação ou arquiva as informações sobre a relação entre Moraes e o banqueiro. O sigilo do caso foi levantado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master.
Na quinta-feira, 10, Moraes marcou um pronunciamento no plenário da Primeira Turma do STF, mas cancelou a fala poucos minutos depois. Um dia antes, Edson Fachin, presidente da Corte, havia retirado Moraes da relatoria do inquérito das fake news e assumido o caso.



